A incorporadora gaúcha Wikihaus Inc está transformando o modelo de negócio da construção civil, no que se refere à concepção da modelagem de produto, por meio do processo de cocriação. A empresa inovou ao lançar em Porto Alegre o Wikihaus Cine Teatro Presidente (WCTP), um dos primeiros projetos imobiliários brasileiros e o primeiro no Rio Grande do Sul com aplicação do conceito de coliving – um prédio com importantes diferenciais.

WIKIHAUS INC

Eduardo Pricladnitzki, Enio Pricladnitzki e Alexandre Dode de Almeida – sócios-diretores da Wikihaus Inc

O cenário atual é de transformação no modo de viver, fazer negócios, se relacionar com produtos e serviços. A construção civil anseia por soluções criativas. O setor imobiliário demanda produtos de vanguarda, e as corporações têm o desafio de inovar para alcançar a preferência do consumidor. Muitas inovações com segmentações de produto, foco em novos nichos, novos bairros, vêm ocorrendo. Mas novas alternativas mercadológicas eram prementes para um mercado empobrecido e carente por novas soluções.

Depois de anos de euforia, os lançamentos estão em declínio e há falta de compradores. A morosidade da economia e a redução na renda familiar provocam a queda nos lançamentos imobiliários tanto no Brasil quanto no Rio Grande do Sul. A desaceleração das vendas imobiliárias também impacta o estado gaúcho.

Desde 2014 o setor da construção civil brasileiro vem encolhendo em comparação aos anos anteriores. Além dos problemas conjunturais e de gestão pública, que atravanca licenciamentos e liberação de novos projetos, o setor não estava se adaptando como deveria e na velocidade necessária a um novo modelo vigente na sociedade.

Em um mercado recessivo frente a um cenário comportamental transformador, era preciso mais que inovar; era imperativo modificar o formato das relações e de concepção de produtos para estar sintonizado com o perfil diferenciado do cliente atual. As mudanças têm acontecido em uma velocidade superlativa; tudo é dinâmico, sendo difícil prever o futuro. O melhor é se antecipar às tendências, promovendo um íntimo relacionamento com o mercado.

As pessoas valorizam cada vez mais os conceitos de relacionamento, singularidade, transparência e propósito. A necessidade de desenvolver e aplicar uma nova maneira de pensar o mercado imobiliário era urgente.

Colaboração como modelo de negócio

Nesse cenário, a Wikihaus surgiu com o objetivo de transformar a forma com que as incorporadoras se relacionam com as pessoas e a maneira com que essas pessoas vivem e se envolvem com a cidade.

A empresa nasceu de uma grande soma de experiências. Seus empreendedores, com mais de 30 anos de vivência no mercado imobiliário e acima de 70 empreendimentos realizados, fundaram a  EGL e trabalharam com grandes players do mercado, como Nex Group e Rossi.

A inquietação transformadora gerou um posicionamento que reflete a diferenciação, relevância e legitimidade de sua atuação: “Wikihaus, a primeira incorporadora que leva a colaboração a sério”.

Transformando o pensar, o planejar e o conceber o produto

A colaboração foi o alicerce para conectar as pessoas e oferecer boas experiências no mercado imobiliário. Tornou-se então o seu modelo de negócio. Inspirada pelos princípios da economia colaborativa, a Wikihaus dirigiu seu foco para produtos que contemplassem o desejo dos futuros moradores, de modo que a moradia a ser erguida tivesse sentido para eles. Por meio de ferramentas inovadoras, a empresa utiliza diferentes processos nos quais os clientes são o “centro de tudo” e, por assim ser, são eles próprios que formatam o produto.

A lógica tradicional do setor foi invertida ao projetar empreendimentos a partir dos reais desejos das pessoas e daquilo que faz sentido para elas. Através de processos de cocriação e colaboração, iniciou-se o planejamento de empreendimentos adequados para os dias de hoje, agregando, dessa forma, mais valor ao seu negócio.

Essa visão foi o norte dos processos de trabalho e permitiu uma transformação no modelo de concepção do produto imobiliário. Uma lógica singular de pensar e agir. Um formato transformador com a aplicação plena de conceitos e metodologias até então inéditas no setor da construção civil gaúcha. O primeiro projeto de cocriação de empreendimento imobiliário no Rio Grande do Sul estava nascendo com um conceito inédito: o coliving.

Coliving: compartilhar é o novo estilo de vida

Mais do que dividir espaços de convivência, o coliving é um estilo de vida que estimula a integração, a sustentabilidade e a colaboração. Na onda da crise e da sustentabilidade, diferentes formas de morar surgem abrindo a possibilidade para um menor custo e maior otimização dos recursos. Ainda que a redução nos custos seja um dos fatores relevantes na infraestrutura de moradia, o real benefício buscado por quem adere à modalidade é a convivência.

O coliving pretende derrubar, além de paredes, a crise da falta de espaços físicos e os ideais de individualização e desperdício. Proporciona uma comunidade em harmonia com a individualidade; aproxima as pessoas; promove a troca de experiências; e permite o uso otimizado de meios de transporte e o compartilhamento de bens e serviços entre os moradores. Também une os ideais de reaproveitamento e consumo consciente em sintonia com a cultura da economia colaborativa, uma tendência, uma força em ascensão.

Novos tempos preveem mudanças, como a quebra da lógica do individualismo, trazendo de volta a ideia de viver em comunidade, compartilhando tarefas, espaços, bens, benefícios, relações, entre outros. Nesse contexto surgiu a inspiração conceitual para o primeiro empreendimento coliving do Rio Grande do Sul.

Criação coletiva através de relacionamentos múltiplos

Para colocar em prática todos os objetivos e conceitos, surgiu uma oportunidade ímpar para o primeiro empreendimento concebido a partir da colaboração coletiva, em um local com grande valor histórico para a cena cultural de Porto Alegre. Em 2014 foi adquirido o terreno/prédio na Benjamim Constant, bairro Floresta, onde durante muitos anos funcionou o Cine Teatro Presidente, reunindo diferentes gerações em espetáculos artísticos que marcaram época. A principal característica do prédio é um grande painel de pastilhas de vidro. Um dos objetivos do empreendimento é resgatar em parte a cultura do local, seja por meio da preservação da fachada ou por ações culturais. Com a perspectiva de manter a efervescência do teatro, fomentando convivência e troca em espaços projetados para um lifestyle de espírito jovem.

A Wikihaus utilizou o sistema de criação coletiva no empreendimento. De forma inversa, onde a concepção de produto é limitada à capacidade criativa do incorporador e do arquiteto do projeto, as pessoas que moram na região e se interessam pelo seu desenvolvimento foram estimuladas a cocriar e desenvolver um produto imobiliário mais adequado à atualidade.

Por meio do design thinking, foi gerado um ambiente em que cidadãos com diferentes pontos de vista tiveram a oportunidade de convergir e divergir em um processo de troca e aprendizado coletivo que no fim resultou em um produto imobiliário.

O processo de design thinking do WCTP teve três etapas: imersão na região, com depoimentos da vizinhança; workshop com profissionais voluntários de destaque, de diversas áreas, para entender suas necessidades; e dinâmicas com usuários de apartamentos compactos para conhecer suas experiências e reais necessidades.

Durante o workshop, os participantes debatem sobre a região e o local ideal para morarem.  Foram construídos personagens que representassem o público alvo do empreendimento, que geraram insights para o melhor aproveitamento da planta do apartamento e das áreas comuns do prédio. Eles concluíram o evento estabelecendo o propósito do produto e construindo um esboço de maquete.

Para integrar o grupo de participantes, buscou-se trazer a visão de três públicos principais: profissionais de diversas áreas, pensadores da cidade e usuários de apartamento similares. A seleção das pessoas foi feita com base no perfil do empreendimento. Os fornecedores foram escolhidos de acordo com as características do projeto, levando em conta que um dos princípios básicos da empresa é sempre estar aberta para construir e desenvolver novas parcerias. Trabalhou-se com um time multidisciplinar de especialistas, capaz de materializar todas as ideias discutidas e debatidas nas etapas anteriores.

O primeiro empreendimento coliving gaúcho

O resultado do processo de cocriação foi o Wikihaus Cine Teatro Presidente, um prédio com importantes diferenciações. Um empreendimento moderno, com espaços de convivência integrados, no coração de uma das regiões que oferecem cultura, lazer, gastronomia e conveniência. Um processo inovador de transformação da maneira como as incorporadoras se relacionam com as pessoas e da forma como essas pessoas vivem e se envolvem com a cidade.

Uma significativa contribuição do processo de cocriação foi a confirmação de que a geração de hoje pensa que o compartilhamento é muito mais importante do que a posse de produtos e serviços, projetando-se o conceito de coliving como posicionamento para o empreendimento.

Localização e planta, por muito tempo, foram os atributos mais importantes de um empreendimento. As novas gerações pensam diferente, pois têm vivências, referências, ideias, causas e experiências diferentes. Agregaram-se diferenciais de projeto que de fato atendam às necessidades reais dos moradores. Isso faz com que o cliente perceba o valor de um produto alinhado com as suas expectativas.

O empreendimento manterá a fachada histórica do prédio original, terá 58 apartamentos compactos (com churrasqueira, pátio ou sacada), com metragem de 37m² a 79m², em uma área de, aproximadamente, 7.500m², que terá um valor estimado de R$ 25 milhões no valor geral de venda.

Os espaços foram dimensionados de acordo com o desejo de cada um, de forma a dar o melhor aproveitamento. A estrutura contempla garagem, lavanderia, área para banho pet, fitness, vestiário, lockers, bicicletário, piscina, área verde com espaços de convivência e horta compartilhada, promovendo a socialização entre os moradores. O empreendimento também terá duas lojas comerciais (400 m² no total) e estacionamento rotativo com 41 vagas.

No lugar do salão de festas, a Wikihaus dará espaço para áreas compartilhadas de convivência entre vizinhos e amigos, assim como espaços para coworking. O conceito reafirma que tudo aquilo que ocupa lugar no apartamento deve ser compartilhado, como aspirador, escada, furadeira. Assim, o prédio disponibilizará uma área com esses utensílios de uso comum e ainda nove bicicletas para os condôminos compartirem.

Comunicação de alto impacto

A estratégia de comunicação privilegiou a geração de conteúdos e não a mídia tradicional. O Facebook e as redes sociais/digitais foram a principal opção de divulgação e engajamento da marca e do produto.

Para divulgar o primeiro empreendimento inteiramente colaborativo do setor no Rio Grande do Sul foi desenvolvido um processo de marketing integrado, abrangendo desde o planejamento do posicionamento institucional da empresa e do empreendimento até a comunicação por meio de mídias digitais (mídias sociais, site www.wikihaus.com.br e blog), alicerçadas por serviços de assessoria de imprensa e relações públicas.

Equipe de trabalho:

  • Agência estratégica: KIX (planejamento)
  • Agência de propaganda: SPRAY (peças publicitárias e identidade visual)
  • Agência digital: The Wedge
  • Monitoramento dos workshops: Reali
  • Assessoria de imprensa: NAVE
  • Paisagismo: Takeda
  • Arquitetura: Maena e Núcleo de Arquitetura
  • Eduardo Becker Atelier de Iluminação
  • Gestão do Reconhecimento: MaxiMarket
  • Vídeo institucional/conceitual: www.youtube.com/watch?v=CQ8F6pzINNY.
  • Vídeo do processo de cocriação: www.youtube.com/watch?v=uqZkgsdOVOE
  • Blog: conteúdo sobre os conceitos trabalhados e processo de concepção e aceitação do empreendimento www.wikihaus.com.br/blog/

O primeiro empreendimento imobiliário 100% fruto da inteligência coletiva

A inquietação transformadora gerou um produto que reflete a diferenciação, relevância e legitimidade de seu propósito de atuação. A partir do WCTP, a Wikihaus começa a deixar um legado que democratiza a forma de viver e de construir em Porto Alegre. Assim, está transformando o modelo de negócio da construção civil, no que se refere à concepção da modelagem de produto – processo de cocriação – e no produto em si, inovando em trazer para o Rio Grande do Sul o primeiro projeto imobiliário com aplicação do conceito de coliving.

Produto que nasceu viabilizado financeiramente

O empreendimento nasceu viabilizado. Todas as 30 cotas de projeto (R$ 300 mil cada) para 27 diferentes investidores foram comercializadas. Ou seja, a construção e a infraestrutura já estão pagas antes de começarem as obras – um importante diferencial para o processo de comercialização final. Em um cenário de dificuldade de obtenção de crédito imobiliário, ainda mais para uma empresa jovem, não foi preciso buscar financiamento bancário. O projeto e sua concepção foram ampla e rapidamente aceitos pelo mercado investidor. A perspectiva é que, quando estiver pronto, o empreendimento proporcione uma taxa interna de retorno líquida na ordem de mais de 27% ao ano para o valor investido.

A demanda para compra dos apartamentos já está acontecendo, mesmo antes de seu lançamento comercial ou de sua precificação final. Tanto para futuros moradores como para novos investidores, que visualizam alto valor para aluguel direto ou por compartilhamento, via Airbnb, por exemplo.

Repercussão, engajamento e viralização do processo de cocriação

O reconhecimento foi muito rápido. Todos os conteúdos gerados e as mídias desenvolvidas obtiveram repercussão e engajamento bem acima do previsto (informações referentes até outubro de 2016).

  • Mais de 22 mil diferentes pessoas navegaram no site, gerando 5.515 cliques, curtidas e comentários, entre julho e dezembro.
  • Mais de300 visitas ao blog com intenso compartilhamento de seus conteúdos.
  • O vídeo do processo de cocriação já teve aproximadamente 90 mil visualizações nas diferentes plataformas em que está disponibilizado.
  • Mais de 80 pessoas já preencheram fichas de demanda por informações sobre o CTP via site.
  • Passou a estar entre as cinco marcas da construção civil gaúcha mais seguidas, faladas e curtidas na internet, com muito menos recursos, mas com forte conteúdo gerador de engajamento e relacionamento.
  • A Wikihaus com esse projeto conquistou o TOP de Marketing da ADVB RS na categoria Conexão com Stakeholders – Construção de Relacionamentos.

Replicação do modelo para novos empreendimentos e novos mercados

No segundo semestre de 2016, a Wikihaus iniciou o desenvolvimento de um novo produto imobiliário, onde a colaboração estará não apenas na concepção inicial, mas em toda a execução do projeto e campanha de comunicação. O objetivo é aplicar o know-how e expertise em outros empreendimentos e estabelecer parcerias de forma a disseminar essa cultura e criar uma nova maneira de projetar, inclusive em outros estados.

A transformação proporcionada pelo novo modelo de negócio está inspirando organizações de todo o Brasil. A partir de visitas e demandas de informação de empresas de outros estados, atraídas pela repercussão intensa que foi gerada, está sendo criada a Wikihauslab www.vimeo.com/182889851, com o objetivo de levar o modelo de colaboração para outras praças. A nova empresa irá propagar essa cultura e ajudar incorporadoras de todos os portes a implementarem de maneira diferenciada seus produtos imobiliários.

Cocriação de valor através da construção de relacionamentos

Velhos pensamentos de negócio estão saturados. Entender os novos comportamentos do indivíduo é fundamental para repensar modelos de trabalho e produtos. Marcas precisam criar relação com o contexto.

A Wikihaus é uma empresa que desenvolve relacionamentos, criando produtos mais inteligentes e pertinentes, que atendam às reais necessidades das pessoas. Sejam investidores, o mercado, clientes ou colaboradores. Com isso está transformando a maneira com que as incorporadoras se relacionam com as pessoas e a maneira com que vivem e se envolvem com a cidade.

É essencial que as empresas reformulem seus conceitos e suas práticas para atender às constantes mutações atuais. As alterações de percepções aumentam cotidianamente e exigem relacionamentos mais próximos entre empresas e clientes. A premissa do marketing relacional consiste em manter uma base de clientes rentáveis e fiéis, oferecendo valor de longo prazo e proporcionando satisfação contínua.