CASES & CAUSOS

Décio Clemente
Atua na área de marketing há mais de 30 anos e é colunista da rádio Jovem Pan de São Paulo.

AGRADECIMENTOS AO VIAGRA!

Na ocasião do lançamento do Viagra no Brasil, o grande Cezar Preti, argentino boa gente e presidente da Pfizer na época, foi o responsável pelo sucesso da famosa pílula azul, um dos produtos mais aguardados pelo público masculino. Por dever do cargo que ocupava, procurava saber também de todas as expectativas, não só da imprensa, mas principalmente dos consumidores que queriam informações sobre as características do novo produto. Ele ficava atento também aos milhares de cartas que a empresa recebia. No início lia quase todas; depois, como a demanda passou a ser imensa, só acompanhava as mais interessantes. Para isso contava com a importante ajuda de sua secretária pessoal. Mais tarde, teve que contar com todas as secretárias do andar da presidência.

Nas respostas, Preti afirmava que o medicamento ainda estava nos testes finais, mas que em breve seria lançado no mercado. Imaginem então a ansiedade que essa pílula milagrosa trazia para alguns milhões de homens ávidos por performances espetaculares; pelo menos era isso que as matérias sobre o medicamento espalhavam por aí.

Entre as cartas, havia uma série do mesmo cliente que mais chamava a sua atenção: toda semana ele escrevia se oferecendo para ser cobaia nos testes do Viagra. Em suas cartas dizia estar preparado para “colaborar com a ciência mundial”, inclusive nas primeiras afirmava que não cobraria nada por esse “favor científico”. Depois de centenas de tentativas, começou a escrever pedindo pelo amor de Deus para participar dos testes. Educadamente, o presidente sempre lhe respondia que aguardasse mais alguns meses para que tudo fosse realizado com a devida segurança. Aí o cliente não aguentou e confessou
que seu caso era “meio urgente”, pois ele tinha 72 anos de idade, e sua esposa, uma mulata de fechar o comércio, andava nos 27! Deduzia, pelas notícias que ouvia, ser o Viagra sua a única salvação. O tempo foi passando, e a Pfizer inteira já sabia o
teor das cartas desse cliente e acompanhava o caso com atenção e curiosidade.

Alguns meses depois que o Viagra foi lançado, aquele consumidor enviou à presidência sua última carta. Era de agradecimento por terem salvo seu casamento, que agora estava “indo de vento em popa”; aliás, dizia ele, “muito mais popa do que vento”. Até aí tudo bem. O problema é que, junto com essa carta, para comprovar a eficácia do produto, ele enviou algumas fotos dele completamente nu. Orgulhoso, mostrava ao presidente o superefeito científico do Viagra em seu organismo, em poses de frente, de perfil, deitado e de pé. O efeito, segundo ele, era mesmo impressionante. O Cezar só não sabia como resolver um problema: o interesse das secretárias da diretoria por essa última carta do cliente. Eu disse a ele para não se preocupar com aquilo, porque na minha opinião todos os funcionários de todas as grandes empresas do mundo, como a Pfizer, devem ter muito interesse nos anseios de seus clientes, e elas, como funcionárias padrão, não podiam fugir à regra. Eu acho que ele pensou que eu estava de gozação, porque me olhou desconfiado e não me respondeu nada.