Mais de 1 milhão de árvores, quase 1 milhão e 900 mil litros de água, 7 mil animais silvestres e 4,5 milhões de peixes – recursos totalmente preservados. Os dados são alguns dos resultados do Sistema de Gestão Ambiental Integrado que a Associação dos Registradores Imobiliários de São Paulo (Arisp) implantou, até agora, em 120 cartórios, mais de um terço do total. O sistema transcende a conservação dos recursos naturais, levando os registradores a uma economia superior a R$ 6,5 bilhões. A gestão ambiental dentro dos cartórios destaca o comprometimento com a sustentabilidade enquanto consumidores de recursos e como veículos de informação aos clientes que diariamente visitam e utilizam os serviços.

ARISP

Em 2005, a Arisp desenvolveu um sistema que inibia o uso de papel, água e energia nos cartórios de registro de imóveis de São Paulo. Quatro anos mais tarde, a associação aderiu ao Pacto Global, iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU) de mobilização da comunidade empresarial internacional para a adoção, em suas práticas de negócios, de valores fundamentais e internacionalmente aceitos nas áreas de direitos humanos, relações de trabalho, meio ambiente e combate à corrupção.

Decidida a seguir o caminho do respeito à sustentabilidade, a Arisp, em setembro de 2014, contratou uma gestora ambiental para assumir o desafio de desenvolver ações educativas, reduzir custos e o impacto ambiental nos cartórios. Naquela altura, Veridiana Aguiar Pinto já tinha experiência em gerenciamento de resíduos sólidos, planejamento urbano, educação e cartografia ambiental.

MAPEAMENTOS DE DADOS E PARCEIROS

Ao longo de 2015, o Departamento de Meio Ambiente e Sustentabilidade promoveu o levantamento de fabricantes de produtos com tecnologia limpa, como copinhos produzidos com mandioca, papel feito de bagaço de cana-de-açúcar e torneiras automáticas temporizadas. Praticamente um ano foi gasto na busca por essas empresas e na negociação por descontos e melhores condições para os associados. Quando a Arisp concluiu e apresentou a lista de fornecedores parceiros, cada cartório pôde decidir se deveria ou não contratá-los. Os associados foram estimulados a avaliar os produtos adquiridos no site, o que já provocou a substituição de alguns fornecedores que não cumpriram compromissos acertados na ocasião do fechamento da parceria.

Paralelamente ao mapeamento de parceiros, a associação deu início a um levantamento de dados de todos os 316 cartórios de registro de imóveis do estado. A principal ferramenta para o trabalho foi criada:  http://sustentabilidade.registradores.org.br/. O site apresentava a Política Ambiental da associação e solicitava o cadastramento com um questionário de 20 perguntas, entre elas o número de funcionários, média de atendimentos diários, tipo de papel utilizado, acessórios para economia de água e de energia, tamanho da frota, procedimentos de separação e destinação do lixo, detalhes sobre o sistema de ar condicionado e outras questões relevantes.

O cadastramento mostrou que, em todo o estado de São Paulo, 6 mil profissionais trabalhavam nos cartórios fazendo, em média, 31 mil atendimentos diários. Graças ao levantamento, foi descoberto que apenas 10% dos cartórios utilizavam algum tipo de papel reciclado, só 8% contavam com algum dispositivo de redução de gasto de água, cerca de 800 mil copos plásticos descartáveis eram usados por ano e – finalmente uma boa notícia – que 75% dos cartórios já faziam a separação e a destinação correta dos resíduos sólidos.

A partir de então, foi possível desenvolver iniciativas para mitigar os impactos negativos ao meio ambiente e, ao mesmo tempo, reduzir custos. Os cartórios que aceitavam participar de alguma ação ganhavam consultoria ambiental individualizada e um relatório técnico com dicas para reduzir os impactos ambientais e os custos – o que vale até hoje. Aos poucos, foram implementadas alterações nas rotinas internas com a inclusão de tecnologias mais sustentáveis, e a atitude dos colaboradores começou a mudar.

OFÍCIO ELETRÔNICO

Uma ferramenta segura que agiliza a tramitação de informações entre o Poder Público e os registradores de imóveis de São Paulo. Assim é o Ofício Eletrônico, implantado pela Arisp em 2005 e, agora, disponibilizado em novo portal https://www.oficioeletronico.com.br. O objetivo dessa iniciativa é viabilizar aos entes governamentais o acesso imediato às informações imobiliárias e a obtenção gratuita de certidões digitais, o que se faz com o intercâmbio de informações eletrônicas entre as entidades solicitantes e os Registros de Imóveis. Com esse sistema, os cartórios de registros de imóveis têm possibilitado ao Poder Público uma economia de milhões de reais, que anteriormente eram gastos com papel, tôner, impressoras, correio e funcionários – valores que podem ser, agora, destinados a outras atividades de interesse da população. Além disso, como as informações negativas são obtidas imediatamente e as positivas em no máximo 2 horas, a eficiência da atividade dos cartórios de registro de imóveis é estendida às atividades dos agentes públicos que utilizam o sistema eletrônico. A medição da economia é em tempo real: http://sustentabilidade.registradores.org.br/indicadores

FLORESTA DOS REGISTRADORES

Ainda em 2015, o Departamento de Meio Ambiente e Sustentabilidade fechou parceria com o empreendimento Green Farm CO2 Free, o maior clube de sustentabilidade compartilhada do mundo, localizado em Itaquiraí, Pantanal do Mato Grosso do Sul. Em uma demonstração de alerta e atitude contra o aquecimento global e as mudanças climáticas, lá foi criada a Floresta dos Registradores, área de mata preservada com 43 mil metros quadrados, responsável por neutralizar as emissões de CO2 de todos os cartórios paulista. A floresta é a junção de três importantes biomas: Mata Atlântica, Cerrado e Pantanal. No último ano, quase 585 mil créditos de biodiversidade de 75 espécies diferentes foram gerados/mantidos no local.

O público atingido pelo marketing verde ultrapassa 300 mil pessoas. Mais de 14 mil indivíduos visitaram e participaram das atividades de Educação Verde, para a gestão de 10 serviços ecossistêmicos do projeto Green Farm, sendo eles: carbono, água, biodiversidade, habitat, marketing verde, polinização, beleza cênica, educação ambiental, pesquisa & desenvolvimento e recreação. Ao longo de 2016, participaram da iniciativa 2 mil visitantes e estudantes de várias idades, seguindo roteiro específico elaborado para contemplar diferentes aspectos dos ecossistemas que influenciam a melhoria da qualidade de vida do planeta.

Os registradores têm participação em outros projetos socioambientais, como:

  • Educação Ambiental: A Green Farm CO2 Free tem sido procurada por diversas instituições de ensino de todo o país. Antes, as visitas das escolas ocorriam semanal ou quinzenalmente, mas desde 2017 o local recebe alunos diariamente. No ano passado, 4 mil crianças participaram de atividades voltadas à educação ambiental, o dobro do ano anterior.
  • Centro de Reabilitação de Animais Silvestres: O CRAS recebe animais apreendidos pelas polícias ambiental e florestal, vindos normalmente das mãos de traficantes e caçadores, ou resgatados de queimadas e de atropelamentos em estradas da região. Cerca de 3.700 animais silvestres já foram resgatados e devolvidos para a natureza desde o início do projeto. Alguns não se recuperam totalmente e são mantidos no local. O CRAS recebe costumeiramente onças, raposas, antas, araras, papagaios, tucanos, macacos de diferentes espécies, lontras, jacarés, tartarugas, marsupiais, tamanduás e muitos outros.
  • Centro Conservacionista de Animais Silvestres: O CCAS tem autorização para manter animais silvestres ameaçados de extinção, com o objetivo de reproduzi-los e repovoar a natureza. Entre elas estão a anta (Tapirus terrestris), o mutum-de-penacho (Crax fasciolata) e a arara-azul-arande (Anodorhynchus hyacinthinus).
  • Viveiro de Mudas: O viveiro tem capacidade para produzir 35 mil mudas de árvores nativas de 48 espécies diferentes, todos os anos. As mudas são distribuídas gratuitamente ou utilizadas para reforço florestal e reflorestamento.
  • Sistema Agroflorestal: O SAF serve de modelo e escola para famílias de assentamentos de terra existentes no entorno da Green Farm. Com esse modelo de cultivo sustentável, os pequenos produtores aprendem que é possível colher quantidade e qualidade durante todas as épocas do ano, sem que seja necessário desmatar. Debaixo da floresta é possível produzir diversas culturas, como palmito, cacau, pimenta-do-reino, chá-mate, café e diversas espécies frutíferas nativas com excelentes resultados econômicos. Os assentados também aprendem a plantar eucalipto, árvore exótica, com o objetivo de produzir madeira e evitar a derrubada da mata. Participam de aulas técnicas e práticas e recebem gratuitamente mudas e sementes.

AGENTES AMBIENTAIS E WEB TV

Em uma iniciativa visando o engajamento dos cartórios, a Arisp criou, também em 2015, a Web TV Registradores, canal de divulgação de todo o sistema de gestão ambiental. Embora bem-sucedida, a iniciativa não resolvia outra questão: a necessidade de uma ponte direta entre o Departamento de Marketing e Comunicação e os registradores. A solução veio na figura do agente ambiental, função desempenhada por um profissional de cada cartório, escolhido pelo oficial ou eleito por votos dos colegas. Além de ser um importante elo entre as partes, o agente também tem uma participação efetiva e motivacional em todas as ações de sustentabilidade da sua equipe.

A partir da criação dos agentes, a Arisp e os cartórios desenvolveram diversos projetos, como a elaboração e distribuição de cartilha com dicas de sustentabilidade para o dia a dia; distribuição de sementes de árvores nativas (300 mil até agora); campanhas de agasalho, reciclagem de materiais, vacinação, doação de sangue, apoio contra o suicídio e muitas outras. O objetivo sempre foi o de alcançar um número cada vez maior de pessoas; por isso, segundo Veridiana, as ações são destinadas aos cartórios e às comunidades onde eles estão inseridos.

“Esperamos uma redução significativa e cada vez maior dos impactos ambientais gerados pelos serviços que prestamos à população. E que as ações de sustentabilidade possam ser disseminadas e expandidas às comunidades onde os cartórios estão inseridos, levando conhecimento ao maior número de pessoas possível. E mais: queremos levar essa experiência para outros estados brasileiros. Trata-se de um trabalho de “formiguinhas”, de cunho educacional, motivacional e de participação. Nosso objetivo é melhorar a qualidade de vida e a saúde da população e, assim, esperar o futuro sem medo”, afirma Veridiana.

MISSÕES DA ARISP

Fundada em janeiro de 1993 pelos oficiais de registro de imóveis da capital paulista, a Associação dos Registradores Imobiliários de São Paulo (Arisp) é uma entidade sem fins lucrativos que representa 316 cartórios no estado. A entidade desenvolve atividades voltadas para melhorar a qualidade da prestação do serviço público de registro de imóveis e a integração com os órgãos do Poder Judiciário, entidades públicas e segmentos da cadeia produtiva do país.

A Arisp desenvolve infraestrutura tecnológica voltada aos seus públicos interno (cartórios) e externo (pessoas físicas e jurídicas) e dá acesso às informações registrais, por meio de pesquisas online e certidões, tudo dentro dos princípios jurídicos que norteiam a atividade, aliados aos modernos conceitos de tecnologia da informação e comunicação.

Além de seus associados serem profissionais especializados no ramo do direito registral imobiliário, a associação conta com um corpo técnico altamente especializado em direito e em gestão de infraestrutura de software e hardware para planejamento e execução da política de informática aplicada aos registros públicos imobiliários, visando processos internos e externos mais velozes, seguros e econômicos.

A entidade habilitou-se a exercer o papel de elo entre os registros de imóveis de São Paulo e setores públicos e privados com os quais mantém intercâmbios e convênios de cooperação técnica e científica. Desde 2009, a Arisp é membro do Pacto Global das Nações Unidas e adotou seus Dez Princípios de Promoção da Sustentabilidade Corporativa nas áreas de Direitos Humanos, Trabalho, Meio Ambiente e Anticorrupção. Embora a ONU exija dos membros a publicação de relatório a cada dois anos, a Arisp decidiu apresentar anualmente o documento sobre as ações implantadas e os progressos alcançados no período.