Investimentos em segurança e saúde no trabalho (SST) e promoção da saúde estão diretamente relacionados à redução de faltas ao trabalho e ao aumento da produtividade dos trabalhadores. Pesquisa do Serviço Social da Indústria (SESI), realizada com 500 grandes e médias indústrias entre outubro de 2015 e fevereiro de 2016, mostra que 71,6% das empresas dão alta atenção à segurança e saúde dos trabalhadores. Além disso, na opinião de 76,4% dos entrevistados, o grau de atenção da indústria brasileira ao tema deve aumentar nos próximos anos.

Essa visão acaba por se refletir na maior competitividade dos negócios. A pesquisa aponta que 48% dos gestores verificaram que esses investimentos geraram redução nas faltas ao trabalho, 43,6% deles constataram aumento da produtividade no chão de fábrica e 34,8% apontaram redução de custos com a saúde dos trabalhadores.

Todo esse empenho da indústria brasileira em garantir ambientes de trabalho seguros e saudáveis se reflete também fora das fábricas. Dados da Previdência Social apontam que o número de acidentes de trabalho por grupo de 100 mil profissionais caiu mais de 18% entre 2007 e 2014, mesmo com o desafio maior em virtude do crescimento de quase 32% de trabalhadores no mercado formal de trabalho no período. Na indústria, essa queda nos acidentes foi ainda maior entre 2007 e 2014: de 22%.

De acordo com o diretor superintendente do SESI, Rafael Lucchesi, investimentos em segurança e saúde no trabalho trazem muitas vantagens às empresas, como redução de faltas ao trabalho e aumento da produtividade. “Os acidentes e doenças trazem grande variedade de despesas, desde custos médicos e indenizações aos trabalhadores e famílias até perda de produtividade e desgaste da imagem das empresas”, destaca.

O PAPEL DO SESI

A queda significativa na incidência dos acidentes e doenças de trabalho comprova que as indústrias estão compromissadas com a construção de ambientes mais seguros e saudáveis para o trabalhador. Para isso, buscam apoio em programas e serviços especializados visando não apenas atenderem a obrigações legais, mas principalmente implantarem sistemas de gestão integrada que reduzam custos com acidentes e adoecimentos do trabalhador.

Nesse sentido, por diversos anos, o SESI é apontado como o principal parceiro das indústrias em soluções de segurança e saúde no trabalho nas pesquisas sobre marcas mais lembradas das revistas Cipa e Proteção, especializadas no tema. O reconhecimento, fruto de mais de 70 anos de prestação de serviços voltados ao cuidado com o trabalhador para promover o aumento da produtividade e competitividade das empresas, mostra que o próprio SESI vem dando uma importante contribuição para a redução de afastamentos causados por acidentes e doenças no ambiente laboral no Brasil.

Além dos tradicionais serviços para atender demandas específicas das empresas, como serviços especializados em promoção da saúde do trabalhador e programas legais em SST, o SESI também oferece soluções mais sofisticadas que englobam sistemas de gestão integrada em saúde e segurança, que reflitam na redução de custos, no aumento da produtividade e no maior bem-estar dos trabalhadores dentro da empresa.

A gestão integrada em SST deve levar em conta, pelo menos, os seguintes impactos para as empresas:

  1. O impacto da tributação variável do Seguro Acidente de Trabalho (SAT) ou o Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa por Riscos Ambientais do Trabalho, provocado pelo Fator Acidentário de Prevenção (FAP). O FAP é calculado de acordo com a sinistralidade em relação aos acidentes de trabalho e afastamentos previdenciários do tipo acidentários. Isso significa que, quanto mais acidentes e afastamentos pelo INSS por esse motivo, maior será a tributação para a empresa;
  2. Para aquelas empresas que oferecem o benefício de plano de saúde, redução da sua sinistralidade anual, que sofrem reajustes muito superiores aos índices inflacionários vigentes;
  3. As perdas financeiras e de produtividade com o absenteísmo de curto e longo prazos;
  4. Os riscos associados às autuações legais e ações regressivas, previstas em lei, por meio das quais a empresa poderá ser penalizada.

O modelo de gestão integrada do SESI é suportado por sistemas de informação que apoiam a empresa com painéis de indicadores e inteligência epidemiológica e, a partir dos gargalos identificados, desenvolvem-se programas e iniciativas mais aderentes à cultura de cada empresa e aos perfis dos trabalhadores e com tratamento da saúde das pessoas de forma integral.

DE OLHO NO FUTURO

Além da prestação de serviços que melhorem a gestão de SST e promoção da saúde nas empresas, o SESI antecipa-se a tendências e investe no desenvolvimento de pesquisa aplicada, em parceria com a indústria e proporciona soluções técnicas e tecnológicas para desafios de SST do presente e do futuro nas áreas de prevenção da incapacidade; economia para saúde e segurança; ergonomia; sistemas de gestão de SST; longevidade e produtividade; higiene ocupacional; fatores psicossociais; e tecnologias para a saúde.

O atendimento das demandas por projetos de inovação nessas áreas é realizado por toda a rede SESI de atendimento em SST em articulação com oito Centros de Inovação SESI com competência consolidada nas temáticas. Essas unidades contam ainda com parcerias internacionais de referência como o Instituto Finlandês de Saúde Ocupacional (FIOH), a Universidade John Hopkins, dos Estados Unidos, e o Instituto Holandês de Ergonomia (TNO), da Holanda.

Uma das formas para as empresas realizarem parcerias com os Centros de Inovação SESI por meio do Edital de Inovação para a Indústria (http://www.portaldaindustria.com.br/senai/canais/edital-de-inovacao-para-industria/), que financia o desenvolvimento de novos produtos, processos e serviços.

RESULTADOS

Atualmente, há 19 projetos pilotos em andamento em 33 empresas. As tecnologias desenvolvidas devem ser replicadas em escala nacional a partir do próximo ano. Para isso, o SESI está investindo R$ 35 milhões. Confira alguns destaques:

PREVENÇÃO DA INCAPACIDADE (BA)

Os afastamentos ocorridos pelo desenvolvimento de incapacidade nos ambientes de trabalho têm despertado cada vez mais atenção de gestores empresariais pelos aumentos dos custos relacionados ao absenteísmo e a seguros previdenciários de acidentes de trabalho. Na Bahia, o Centro de Inovação em Prevenção da Incapacidade está desenvolvendo soluções que vão da detecção precoce da incapacidade ao trabalho a planos de retorno ao trabalho. Os serviços são compostos de ferramentas gerenciais e de cursos para profissionais de recursos humanos, supervisores de segurança e saúde no trabalho e médico do trabalho, entre outros. Ao todo, são realizados projetos pilotos em dez empresas de diversos setores.

ERGONOMIA (MG)

Em Minas Gerais, projeto de melhorias ergonômicas feito na MRS Logística, que conta com 6 mil funcionários, já rendeu frutos. Em 2014, o SESI realizou diagnóstico e propostas para melhorar a disposição de equipamentos e ferramentas de trabalho. Ao longo de dois anos, a empresa promoveu modificações desde as mais simples, como colocação de bancos para descanso e prateleiras para evitar que os funcionários abaixem a todo momento para pegar equipamentos, até as mais complexas, como a inserção de carros para transporte de materiais mais pesados e equipamentos que substitui alavancas para levantar vagões. Na Oficina de Manutenção de Vagões da MRS Logística, onde trabalham 200 pessoas, o projeto contribuiu para reduzir o absenteísmo, que era em torno de 8% ao ano, para 3%, em 2016.

A empresa continuará a parceria com o SESI e, com a ajuda do Instituto Holandês de Ergonomia (TNO), fará um trabalho de identificação de gargalos e de riscos ergonômicos no processo produtivo por meio de método que envolve a participação dos trabalhadores. Após essa etapa, serão desenvolvidos planos de ações para melhorar o rendimento, a produtividade e a saúde dos trabalhadores. Além disso, vai estudar tecnologias para substituir a lixadeira elétrica e pneumática usada por trabalhadores para tirar ferrugem de vagões.

LONGEVIDADE E PRODUTIVIDADE (PR)

O Centro SESI de Inovação em Longevidade e Produtividade, localizado no Paraná, desenvolveu portal na internet que reúne informações sobre o envelhecimento da população e os impactos no ambiente de trabalho. Com o apoio do Centro, a Caemmun Movelaria, indústria de móveis com sede em Arapongas, no interior do Paraná, implementou um programa piloto que prepara a empresa e os trabalhadores para as oportunidades e os desafios decorrentes do envelhecimento da população brasileira. O programa voltado à longevidade segue a metodologia do Instituto Finlandês de Saúde Ocupacional (FIOH) e complementa as ações da Caemmun, que busca a saúde e o bem-estar dos 450 trabalhadores, que atuam nas duas unidades da empresa. Os investimentos no programa trazem resultados positivos, entre os quais estão a redução da rotatividade e a retenção dos talentos.

A implementação do programa começou no fim do ano passado com a criação do Comitê de Longevidade, com representantes da diretoria, das áreas de Recursos Humanos e de Produção. Durante quatro meses, 26 trabalhadores na faixa etária de 30 a 50 anos participaram de uma série de atividades, como palestras sobre saúde, exercícios de fortalecimento muscular e dinâmicas de grupo. Os resultados do piloto mostram que diminuíram as queixas sobre dores, e a resistência física aumentou. Também melhorou o índice de capacidade para o trabalho (ICT), que avalia a percepção do trabalhador em relação ao quão bem está ou estará para executar suas tarefas diárias. O índice varia de 0 a 49. Na Caemmun, subiu de uma média de 42,8 antes do programa para 44,6 depois do piloto.

TECNOLOGIA PARA A SAÚDE (SC)

Em Santa Catarina, o Centro de Inovação de Tecnologias para a Saúde está apoiando a Federação das Indústrias do estado (FIESC) na alavancagem do polo industrial de saúde no estado, que hoje conta com 60 empresas e 40 startups. Entre as tecnologias desenvolvidas está uma plataforma digital para trabalhadores receberem orientações de saúde a distância, o que reduz custos com consultas médicas. No aplicativo, em fase de testes com 140 trabalhadores de quatro empresas do estado, as pessoas devem inserir metas de saúde e, com auxílio de especialistas, estabelecem ações adequadas a seus gostos e necessidades para atingir os objetivos.