A transportadora cearense Maxlog atuava no mercado de logística reversa quando transformou um problema em solução. Havia muita dificuldade para encontrar recicladoras interessadas no Plástico PP Laminado. A diretoria teve a ideia de aproveitar o material para desenvolver produtos em madeira sintética. A inovação tecnológica contribui duplamente para a preservação do meio ambiente: deixando de poluir e ainda evitando o desmatamento. E ainda oferece ao consumidor vantagens como não apodrecer, não soltar farpas, não permitir a proliferação de fungos e cupim e, principalmente, custar mais barato do que a madeira nobre. A iniciativa levou à formação de uma nova empresa, a Ecomax. Hoje, a fábrica tem capacidade de produzir por mês 700 unidades de seis metros, e o planejamento para 2019 é de implantar mais uma linha de produção para desenvolver novos modelos de madeira plástica.

A derrubada de árvores para fins comerciais já chegou a tal ponto que hoje são fortes as cobranças por soluções que ajudem a evitar a extração da natureza. Mais do que uma tendência, esse é um novo e irreversível posicionamento por parte de parcelas crescentes da população. Norteados por princípios preservacionistas e pelo caráter empreendedor, os fundadores da Ecomax iniciaram a empreitada em 2008. Nessa época, a Maxlog, já com cinco anos no mercado de transportes, passou a atuar com logística reversa de clientes, retirando resíduos sólidos e destinando para empresas recicladoras. No ano seguinte, um material atraía atenção pela baixa procura. Era difícil encontrar compradores para o plástico PP laminado.

Surgiu a ideia de desenvolver produtos que aproveitassem o resíduo, firmando o compromisso da Maxlog com a sustentabilidade. Os fundadores partiram do Ceará em diversas viagens para outros estados e também para o exterior; buscaram pesquisas; testaram produtos e formulações. Finalmente, em 2010, na Feira K, na Alemanha – uma das maiores e mais importantes feiras de plástico e borracha – chegaram ao Renova, uma madeira sintética e ecológica que agrega fibras naturais, resíduos recicláveis e outros insumos industriais. Combinados, esses elementos resultam em produto bastante semelhante à madeira natural, comprovadamente capaz de substituí-la com vantagens relevantes.

Com uma coloração bastante ativa e apresentando, ainda, alumínio na sua composição – o que dificulta o aproveitamento para a fabricação de sacolas, cadeiras etc. –, a nova tecnologia utiliza resíduos para produzir um material que pode substituir com êxito a madeira comum em um amplo leque de aplicações e muitos benefícios, mas que, se descartados, poluiriam o ambiente. A tecnologia para produção da Renova é feita por meio de uma máquina extrusora e equipamentos como moinho e aglutinador para a fase de preparação da matéria-prima. A fórmula – plástico, pó de madeira e casca de arroz – entra na máquina, que pode determinar o comprimento das peças. Devido ao design do equipamento; daí ser possível fabricar peças sob medida, propiciando um diferencial no mercado.

Visando conseguir mais matéria-prima e ainda oferecer a outras empresas a oportunidade de uma destinação correta aos resíduos por elas gerados, foram desenvolvidas parcerias com diversas fábricas, geradoras desse tipo de plástico. Foi estabelecido um trabalho conjunto com a Madeireira Escala, uma grande empresa cearense, recolhendo e utilizando o refugo do pó da madeira como matéria-prima na produção da Renova. Um contrato de consultoria foi firmado com o engenheiro químico Murilo Tavares Luna como responsável técnico para desenvolver a formulação, assegurar as quantidades exatas dos componentes para resultar na melhor solução em todos os aspectos – qualidade, durabilidade, resistência, sustentabilidade, entre outros.

Ainda em 2010 o empreendimento com a Renova gerou uma nova empresa, a Ecomax, cujos valores são a preservação dos recursos naturais e o desenvolvimento econômico responsável. A versatilidade de aplicações da tecnologia responde de forma eficiente e efetiva à demanda crescente por alternativas às madeiras naturais. A empresa aposta que a Renova é a madeira do futuro tornada realidade agora. Em 2012, houve a compra da linha de produção. Todo o maquinário foi importado. Em dezembro do ano seguinte, a primeira tábua foi produzida. No ano passado, dentro da estratégia comercial, foi lançada a loja virtual como uma importante medida para estreitar a interface com os consumidores e ampliar a presença e a contribuição com o mercado sustentável.

Uma vez o produto acabado, a Ecomax teve que vencer a barreira da desconfiança do consumidor, pois oferecer algo inovador ao mercado nem sempre é uma missão fácil. Muitas pessoas preferem não arriscar com o novo. Após anos estudando esse mercado, a diretoria da empresa classifica o seu público-alvo como pessoas e empresas inovadoras, que querem atingir os objetivos do cotidiano de forma diferente. O nicho de mercado tem crescido cada vez mais, e as pessoas estão mais propensas a mudar a cultura do consumo exagerado e sem cuidado.  Em relação ao preço final para o consumidor, a madeira sintética pode sair mais barata do que a madeira natural. Se comparada com tipos nobres, a Renova custa 50% menos. Porém, o valor da sintética é 30% mais caro em equivalência ao MDF ou Compensado.

USO RACIONAL DA ÁGUA

Outro importante fator positivo a se ressaltar na produção é o uso da água, insumo necessário para o resfriamento da madeira. Pensando na necessidade de que esse fosse um processo responsável e voltado para o consumo consciente, foi desenvolvido um sistema pelo qual toda a água utilizada volta para um reservatório e, em seguida entra no processo novamente, num sistema de reúso continuado e quase sem nenhum desperdício. A fábrica conta ainda com duas estações de tratamento de esgoto – uma para os banheiros do escritório e outra para o banheiro dos funcionários.

Além da madeira bruta em si, a Ecomax também desenvolve e lança no mercado uma linha de produtos utilitários e de decoração para uso em ambientações de diferentes espaços de forma moderna, elegante e sustentável. Entre esses itens citamos lixeiras em vários modelos e módulos de pisos para decks.

PAPEL EFETIVO

Aplicações práticas aliadas à conscientização mostram que a madeira plástica já tem um papel real na questão da sustentabilidade. Alguns municípios cearenses já contam com a madeira plástica na ambientação de praças e de escolas, e na Universidade de Fortaleza (Unifor) foi criada uma disciplina relacionada a inovações sustentáveis, incluindo a Renova.

ECOPOINT

A Ecomax fechou parceria com a Enel, gigante mundial de energia, com atuação em vários estados do Brasil e distribuidora do Ceará. A empresa tem um grande foco em sustentabilidade, e essa identificação resultou na construção de um novo ecopoint com madeira Renova, que foi instalado na UECE, e o projeto da universidade tem como objetivo implantar outros no Campus, dentro de um projeto que a Enel já mantém há alguns anos. Os ecopoints estão em vários pontos da cidade, para onde as pessoas levam latas, plásticos e outros materiais recicláveis e ganham desconto na conta de energia.

A atual linha de produção da Ecomax tem capacidade para produzir por mês 700 unidades de seis metros, e a fábrica já está equipada para receber outras duas linhas, o que vai triplicar a produção. Há projetos para expansão no próximo ano, com uma nova linha de produção voltada para novos modelos de madeira plástica.

SOBRE A MAXLOG

A transportadora cearense está no mercado há mais de 15 anos, com filial em dois estados (São Paulo e Pernambuco) e atende a todo o Brasil. A Maxlog Serviços de Logística passou a atuar com logística reversa a partir de 2008.