A Greville Containers do Brasil alterou o seu modelo de negócios e passou a adotar o conceito One Way, uma modalidade de locação que permite o aluguel de containers para uma única viagem, sem o pagamento de multa por sobrestadia (demurrage). No pacote de mudanças entram ainda a montagem de módulos habitáveis feitos com conteiners fora de uso e a construção no Brasil de modelos refrigerados com 90% de conteúdo local.

GREVILLE

Ricardo Tomassis é diretor da Optima Comunicação Estratégica, responsável pela comunicação da Greville

CONCEITO ONE WAY

A Greville atuou, inicialmente, como Trading de Containers Marítimos em toda a América do Sul e, desde 1999, também nos mais importantes portos do mundo. Representante exclusiva no Brasil de diversas empresas proprietárias de containers, a Greville desenvolve suas atividades direcionadas a diversos segmentos: Locação de Containers Marítimos (novos, usados e transformados); Módulos Habitáveis e Containers Offshore. A empresa administra uma diversidade de frota de containers marítimos, assim como containers especiais, fabricados sob encomenda, de modo que atenda às necessidades de cada cliente. Para este fim, existem grandes estoques nos principais portos da América Latina.

Em busca da inovação no modelo de negócios, a empresa adotou o conceito One Way. Diferentemente das locações tradicionais, One Way é uma modalidade de locação que permite ao cliente alugar containers para uma única viagem. A principal vantagem dessa modalidade é que não existe cobrança de demurrage – multa determinada em contrato, a ser paga pelo contratante de um navio, quando há demora maior do que o acordado no embarque ou na descarga –, o que permite uma redução no custo do frete junto ao armador. Outro facilitador ao usuário é não se preocupar com o controle permanente do container, ou mesmo tratar dos processos operacionais, como liberação, reentrega, reparos, estadias e inspeções, bastante comuns em locações tradicionais.

Hoje os containers são arrendados ou comprados pelas companhias de navegação, que controlam o sistema logístico. Dentro desse sistema, assim que a companhia consegue uma carga, o usuário é obrigado a ter o container para estufagem alguns dias antes e também dias depois da desova, cabendo multas diárias quando do não cumprimento dessas normas.

A modalidade One Way rompe com todo esse processo oneroso da seguinte forma: a Greville cobra do cliente um aluguel plano, normalmente do exportador, até o porto de destino da carga. No local, o agente/parceiro logístico fica responsável em dar a melhor opção na utilização do container após a desova da carga, podendo ser vendido ou mesmo realocado a novo usuário. Ao cliente não há preocupações extras que não seja a própria carga, do embarque ao desembarquem, sem cobrança de demurrage ou detention.

A Greville, por meio de uma estruturada rede de agentes, está preparada para realizar esta modalidade e liberar e receber containers em diversos portos do mundo. Atualmente, são mais de 200 empresas parceiras, sendo que todos os containers cumprem com normas e convenções de segurança internacional.

Do ponto de vista financeiro, o sistema da Greville gera uma economia de cerca de 18% em relação à locação tradicional. Naturalmente, existem cargas que são mais convidativas para esse tipo de mercado, como pás eólicas, especificamente transportadas em One Way por todo o mundo, e cargas de projetos (eventos, shows e espetáculos) que há grande variedade de destinos. No entanto, o One Way pode ser mais bem trabalhado tanto por exportadores e importadores como em agências, armadores e companhias de leasing.

Hoje, os países escandinavos são um dos mais presentes nesse mercado, principalmente por possuírem fábricas muito específicas e serem grandes exportadores de matéria-prima para empresas de tecnologia.

MÓDULOS HABITÁVEIS

Outro ponto importante no modelo de negócios da companhia diz respeito ao uso do contêiner após o término de sua vida útil. Tomando por base ideias sustentáveis de ecoarquitetura, a Greville desenvolveu modelos de casas e de escritórios com containers, mantendo todo o requinte e conforto de forma dinâmica, barata e, acima de tudo, menos agressiva ao meio ambiente. A reutilização da matéria-prima do container, que não tenha mais vida útil para o transporte de cargas, tomou outra roupagem com a criação dos módulos habitáveis.

Bastante utilizado nos Estados Unidos e Europa, os módulos habitáveis chegaram com força no Brasil somente em 2010, período em que houve um “boom” de mercado. Dessa forma, os containers deixaram de ser objetos apenas encontrados em canteiros de obras, passando a constituir projetos customizados nos mais diversos tipos e segmentos de atuação.

Além de trabalharem com o conceito da sustentabilidade, os módulos habitáveis têm o diferencial de possibilitar uma ampliação ou mesmo um remanejamento dos espaços de maneira rápida. Outro ponto a destacar é que todo o desenvolvimento acontece na fábrica, reduzindo em aproximadamente 60% o tempo de finalização e entrega do projeto.

Cada singularidade do projeto pré-fabricado parte da modularidade dos containers marítimos, encontrados nos tamanhos de 10, 20 e 40 pés. Entretanto, podem ser planejados de acordo com a criatividade de cada pessoa, tendo em vista que dentro da fábrica são feitos os recortes das chapas e devidas adequações, como se fosse um quebra-cabeça. Assim como em uma construção convencional, toda a estrutura é entregue com as instalações hidráulicas e elétricas prontas para ligação externa.

Em uma casa container de 20 pés, por exemplo, no estilo quarto e sala integrados (de aproximadamente 15 m²), o tempo de realização e entrega do projeto é de aproximadamente 30 dias, desde a escolha do container, alinhamento até a sua entrega. Todos os containers da Greville passam por vistorias, contando com laudos de habitualidade, garantindo que o container esteja livre de qualquer tipo de contaminação prejudicial à saúde e segurança.

No Brasil, cada município tem seu código de obras que deve ser atendido caso a caso. Mas, independentemente de qual seja a regulamentação, morar ou trabalhar dentro de um container é cada vez mais uma solução criativa e soberana para conquistar o próprio sonho.

SUSTENTABILIDADE

O novo paradigma arquitetônico sustentável tem como objetivo satisfazer as necessidades das pessoas, sem colocar em perigo o bem-estar e o desenvolvimento das futuras gerações. Isso implica em um compromisso honesto com o desenvolvimento humano e a estabilidade social, utilizando estratégias de infraestrutura, sempre com a finalidade de otimizar os recursos materiais, diminuir o consumo energético e reduzir ao máximo os resíduos e emissões de gases.

Basicamente, um empreendimento sustentável é aquele ecologicamente correto, economicamente viável e culturalmente aceito. Diante disso, o Brasil segue a tendência mundial de desenvolvimento tecnológico em busca de soluções com foco em construções sustentáveis. Vislumbrando este conceito de um produto sustentável, a Greville desenvolve no mercado nacional um modelo de negócio que atinge diversos públicos e interesses: os containers reaproveitáveis, que podem sem transformados em módulos para habitação, escritórios e até almoxarifados. Dessa forma, não é gerada grande parte dos impactos causados ao meio ambiente por uma construção civil convencional.

Para um melhor entendimento, atualmente a indústria da construção civil é responsável por gerar cerca de 50% de todo CO2 lançado na atmosfera e quase a metade de todo o resíduo sólido que chega a 3 bilhões de tonelada/ano. De acordo com relatórios da Green Building Brasil, essa mesma indústria consome entre 40% e 75% dos recursos naturais existentes.

Ou seja, enquanto a perda de materiais na construção civil gira em torno de 30% do total utilizado em uma obra, no uso de containers marítimos isso se modifica, pois há uma redução de quase 25% perante a construção convencional, por haver um melhor reaproveitamento dos materiais, como por exemplo, das chapas reutilizadas em outros elementos, tais quais portas e fechamentos externos.

CONTÊINER COM CONTEÚDO LOCAL

Com experiência de mais de 20 anos em containers frigoríficos ou refrigerados e entendendo a necessidade do mercado offshore na cidade de Macaé, especialmente no que se refere ao transporte de alimentos aos funcionários que operam nas plataformas petrolíferas da região, a Greville optou em desenvolver container de 10 pés para atender aquele mercado.

Anos de estudos, aliado ao momento econômico favorável, em que o dólar ultrapassou a barreira dos R$ 3,50, a empresa encontrou uma forma de torná-lo economicamente viável, à medida que importá-lo se tornou mais caro. Diante isso, a Greville desenvolveu a primeira série de containers reefer DNV – como são conhecidos mundialmente os containers frigoríficos para o mercado offshore –, fabricados com 90% de conteúdo local e os primeiros fabricados no Brasil.

No início, a primeira fábrica, instalada em São Bernardo do Campo, produziu cerca de 60 unidades com tecnologia de peças, equipamentos e especialistas capacitados. A caixa em que se programa e monitora o resfriamento do container de 10 pés foi totalmente desenvolvida no Brasil, com selo de certificação nacional e cumprindo das normas internacionais específicas, exatamente como ocorre com os que são produzidos na China (principal fabricante).

Durante a fabricação, um dos maiores desafios para a construção foi entender os esforços em que estão expostos os containers reefer em alto mar, ou seja, entender que transportá-lo de um navio pequeno até uma plataforma há dificuldades de locomoção e de içamento.

Uma das soluções foi desenvolver a estrutura física de aço reforçada, com o dobro de espessura nas chapas e quase o triplo nas vigas transversais, a fim de impedir avarias, buracos e demais estragos que impeçam a entrega dos produtos à plataforma.

O crescimento na fabricação do container reefer corre ao passo do interesse de outros mercados, que não só o offshore, bastante restritivo. Atenta a isso, a Greville trabalha junto ao mercado doméstico, por oferecer um produto de fácil mobilidade, modularidade e de fácil intercâmbio, como uma maneira de extensão e ampliação de suas estruturas físicas e armazenamento de produtos.

PERFIL

Estrategicamente localizada em Santos (SP), principal porto de entrada e saída de mercadorias, com filial em Macaé (RJ), hoje a Greville é uma das principais empresas especializadas no fornecimento e manutenção de containers marítimos, frigoríficos e todo tipo de container destinado ao transporte multimodal. Bastante atuante no mercado Offshore, a Greville produz containers para abastecer e suprir as necessidades dos trabalhadores que atuam nas plataformas de petróleo. Dessa maneira, a empresa enxerga com bons olhos não apenas o potencial mercado do seu produto, como também a contribuição ativa no desenvolvimento econômico do país, por meio da participação no processo operacional que movimenta toda a economia do petróleo.

Entre as principais vantagens da utilização de containers estão a durabilidade, estanqueidade e, principalmente, mobilidade e modularidade, podendo ser posicionados de acordo com as necessidades determinadas pelos clientes.

Uma das importantes vertentes em trabalhar com containers é a facilidade em idealizar novos projetos, reutilizando a matéria-prima de containers usados como um facilitador de tempo, custo e, obviamente, com grande ganho sustentável. Uma vez que um container tenha encerrado sua vida útil para o transporte de carga, a Greville o transforma e realiza todos os reparos, a fim de que ele seja reutilizado para outra finalidade, como, por exemplo, em módulos habitáveis – uma solução eficiente e de custo reduzido.

Há uma ampla diversidade em que os módulos pré-fabricados podem ser utilizados. Independentemente de qual seja a ideia, na área corporativa, comercial ou residencial, há uma forma de confeccioná-la e colocá-la em prática, em qualquer lugar do mundo e sempre com um ganho de custo e de tempo.