Com o objetivo de aumentar a competitividade e produtividade das empresas brasileiras, o Sistema Indústria criou, em 2013, os Institutos SENAI de Inovação. A rede funciona como um grande laboratório de ideias, no qual o setor produtivo divide com o SENAI os riscos de inovar, em todas as etapas do processo. Desde seu lançamento, os centros já entregaram 151 projetos inovadores, avaliados em R$ 135,8 milhões, atendendo a mais de 30 setores econômicos.

INSTITUTOS SENAI DE INOVAÇÃO

Por sua capacidade de gerar novas soluções que agregam valor às marcas, a inovação é um dos fatores mais importantes para a competitividade empresarial. Por meio de processos inovativos, é possível criar produtos e serviços mais eficientes, que aumentam a conexão das empresas com seus clientes, fortalecendo e ampliando sua presença no mercado. Essa é uma das razões pelas quais países que buscam se tornar mais competitivos em nível global investem em desenvolvimento tecnológico e pesquisa. Steve Jobs, o lendário criador da Apple, costuma dizer que inovação é o que distingue um líder de um seguidor. E neste cenário, o Brasil revela que há relevantes gargalos a serem superados nessa área.

Nos últimos sete anos, o país caiu 22 posições no Índice Global de Inovação, o ranking que avalia o desempenho de 127 economias, elaborado pela Universidade Cornell (EUA), a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (Ompi) e a conceituada escola de negócios Insead. A queda de 49º lugar, em 2011, para 69º nos últimos dois anos aponta que o Brasil saiu de uma situação de otimismo para um panorama preocupante. Na América Latina, o desempenho do país também está distante do ideal. Mesmo sendo a principal economia da região, o país ocupa a sétima colocação, atrás do Chile, Costa Rica, México, Panamá, Colômbia e Uruguai.

Esses resultados refletem o nível de investimento em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) no Brasil. Em 2013, apenas 1,24% da riqueza brasileira foi direcionada para esse campo, enquanto que em países como a Alemanha o percentual foi de 2,83%, segundo a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne os países mais desenvolvidos.

Outro indicador que revela entraves para inovar no país é o ranking mundial de patentes, no qual ocupa a 30ª posição. Em 2016, foram concedidas 4.771 patentes no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Para efeitos de comparação, a média anual dos Estados Unidos é de 300 mil patentes.

Além dos gargalos elencados, o Brasil caminha na contramão dos países mais inovadores do mundo em termos de destinação de investimentos em P&D. Historicamente, o país concentra a maior parte do seu orçamento em P&D para o avanço do conhecimento. Em 2013, 72,5% dos gastos nessa área no país se destinaram a bolsas de estudos, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), com dados da OCDE e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Apesar de ter avançado na formação de mestres e doutores nos últimos anos, uma parcela ínfima desse grupo produz pesquisa no setor empresarial. Noventa e cinco por cento dos doutores brasileiros estão em universidades, enquanto as empresas retém 1,7% do total, de acordo com o MCTI.

O INSTITUTO

Tendo esses desafios como ponto de partida, o Sistema Indústria criou, em 2013, os Institutos SENAI de Inovação, que revolucionam a cultura de inovação no país. A rede tem como propósito ampliar a efetividade das políticas e aumentar o volume de recursos investidos no setor, ajudando as empresas a desenvolver produtos e processos eficientes e inovadores. Com 25 unidades distribuídas nas cinco regiões brasileiras, os Institutos funcionam como uma ponte entre as necessidades do setor privado e o conhecimento produzido na academia.

A iniciativa surgiu de discussões no âmbito da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), grupo composto por 200 executivos e coordenado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que se reúne regularmente para pensar estratégias que permitam superar os gargalos de inovação no país. Os centros de excelência, viabilizados por meio de empréstimo de R$ 1 bilhão do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), são inspirados em organizações internacionais de renome no campo da inovação.

Sua principal referência é a Sociedade Fraunhofer, da Alemanha, maior associação de pesquisa aplicada do continente europeu, com a qual o SENAI firmou uma parceria para que, sempre que um desafio exigir expertise não encontrada no Brasil, possa contar com conhecimento de sua extensa equipe técnica. Em 2014, também foi estabelecida cooperação com o Massachussets Institute of Technology (MIT) de Cambridge, nos Estados Unidos, para proposição de metodologias e melhores práticas de instituições norte-americanas e europeias, adaptadas à realidade do Brasil.

Especializados em setores estratégicos para a indústria – como energias renováveis, química verde e microeletrônica – os Institutos atuam em rede, composição que facilita a prestação de serviços para as diversas necessidades das empresas em qualquer local do país. Seu corpo técnico, multidisciplinar e complementar, é integrado por talentos oriundos da academia. Atualmente, dos mais de 521 colaboradores, 76 são doutores e 102 possuem mestrado.

Além de contar com um quadro de especialistas altamente qualificados, os Institutos trabalham em parceria com especialistas estrangeiros, caso o desenvolvimento do projeto demande conhecimento ou soluções inexistentes no Brasil. Do mesmo modo, possibilita que pesquisadores das empresas contratantes dos serviços se integrem ao grupo, sob regimes de acordo de confidencialidade.

Até mesmo a localização de cada uma das unidades espalhadas pelo país foi pensada para facilitar o fluxo de conhecimento científico entre a academia e o setor produtivo. Os Institutos se situam próximos de complexos industriais e universitários e estão presentes nas cinco regiões do Brasil, expandindo os ambientes inovativos para fora dos grandes centros.

A rede busca aumentar a competitividade do setor produtivo conectando demandas apresentadas por grandes, médias e pequenas indústrias à criatividade de empreendedores e ao conhecimento produzido nas universidades. Dessa forma, o projeto também estimula o empreendedorismo inovador e reverte a tendência do mercado nacional de empreender em negócios de baixo valor agregado.

O foco dos Institutos SENAI de Inovação é o desenvolvimento de projetos de inovação e pesquisa aplicada que antecipem tendências tecnológicas, para possibilitar soluções sob medida para as empresas, ou ideias que gerem novos modelos de negócio. A rede faz pesquisas aplicadas que abrangem desde a fase pré-competitiva, de definição de conceitos e experimentações, até a etapa final, quando um novo produto está em vias de ser fabricado pela indústria.

Para atender as empresas, os Institutos são estruturados com equipamentos e tecnologias de ponta. É no Instituto SENAI de Inovação em Automação, na Bahia, que está localizado o segundo maior supercomputador da América Latina, utilizado para estudos de prospecção de petróleo no pré-sal. Outras unidades também são equipadas com ferramentas de última geração em robótica, computação em nuvem, nanotecnologia, entre outras tecnologias.

Algumas das soluções ofertadas são o apoio laboratorial para prototipagem e plantas-piloto (focados na etapa pré-competitiva), serviços tecnológicos de alto valor agregado e complexidade, conexão com os principais atores do Sistema Nacional de Inovação e consultoria e treinamento em diversas áreas tecnológicas.

RESULTADOS

Os Institutos SENAI de Inovação estão revolucionando a forma de inovar no Brasil, gerando soluções em ritmo acelerado, como demanda o setor industrial. Até o final de 2017, 23 das 25 unidades projetadas para serem implantadas até 2019 estarão em pleno funcionamento. Desde 2013, os centros de excelência já entregaram 151 projetos inovadores, avaliados em R$ 135,8 milhões, atendendo a mais de 30 setores econômicos. Atualmente a rede possui 188 propostas em execução, com investimentos da ordem de R$ 360 milhões, e outras 30 em fase de contratação, com valores estimados em R$ 18,8 milhões.

A participação de empresas de diferentes portes revela que o Sistema Indústria tem conseguido, por meio da rede de Institutos, atender ao perfil do setor produtivo nacional, adaptando as melhores práticas e metodologias mundiais à realidade do país. Desde sua criação, 42% dos projetos dos Institutos foram realizados em parceria com grandes empresas. Na outra ponta, as organizações de pequeno porte representam 30% do total, seguidas das startups, que tiveram participação de 16%. As empresas de médio porte representam 12% das parcerias desenvolvidas.

A rede atua alinhada às principais tendências globais, como mobilidade, saúde, energia, cidades inteligentes, manufatura avançada e bioeconomia. Por saber da importância de empresas e negócios estarem integrados aos novos paradigmas do mundo moderno, os Institutos SENAI de Inovação têm como proposta auxiliar o setor produtivo brasileiro a fazer a transição para a Indústria 4.0, conhecida como a quarta Revolução Industrial.

Entre as soluções entregues pelos Institutos no período de julho de 2013 a março de 2017, 37 estão relacionadas à Indústria 4.0, que contempla a adoção de tecnologias digitais para automação dos processos produtivos. Esses projetos representaram R$ 86 milhões em investimentos e envolveram a participação de empresas de todos os portes.

Nos Institutos SENAI de Inovação são desenvolvidas tecnologias para a indústria do futuro. Já foram criados produtos como implantes personalizados de titânio para correção facial, no único centro a laser da América Latina, e sistemas como um simulador para treinamento em segurança do trabalho, que reduz custos e aumenta a segurança nas empresas, entre outras soluções.

Os projetos desenvolvidos nos centros, contudo, vão além das inovações disruptivas, que ocorrem quando um novo processo, produto ou serviços alteram os rumos do mercado. Um outro tipo de inovação, também fundamental para a competitividade e produtividade empresarial e que tem sido produzida nos Institutos, é a incremental, que consiste em melhorar processos ou produtos, tornando-os mais eficientes. Com a iniciativa do Sistema Indústria, as empresas dividem com o SENAI os riscos de inovar em todas as fases do processo.

 

SENAI

A rede de Institutos SENAI de Inovação integra a estrutura do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), maior complexo privado de educação profissional e serviços tecnológicos da América Latina e um dos cinco maiores do mundo. Criada em 1942, a entidade, de direito privado e sem fins lucrativos, já formou mais de 71 milhões de trabalhadores em 28 áreas industriais. Além dos centros de inovação, o SENAI possui 61 institutos de tecnologia, 580 unidades fixas e outras 449 móveis, distribuídas em 2,7 mil municípios brasileiros. A entidade está vinculada ao Sistema S, composto por nove instituições que prestam apoio a diferentes segmentos econômicos e que têm como foco de atuação a geração de benefícios para a sociedade.