As instalações minero-industriais da Nexa Resources são planejadas para início, meio e fim de operação. A diretriz interna é assegurar, não só a implantação e o funcionamento de suas operações de mineração e metalurgia, mas também o encerramento das mesmas adequadamente planejado e executado, com o objetivo de deixar um legado para a comunidade do entorno. Independentemente da legislação vigente, todas as operações da empresa possuem planos de descomissionamento elaborados com as referências técnicas mais atuais e nas melhores práticas de mercado. Na verdade, os planos elaborados são mais completos e comprometidos do que a exigência legal vigente. O tema é considerado relevante e ocupa posição estratégica na companhia, sendo devidamente acompanhado de políticas internas, que envolvem desde as unidades operacionais até o corpo diretivo. O trabalho abrange as operações no Brasil e no Peru, o corpo técnico e operacional das unidades, consultores, gerentes e diretores de negócio, das áreas corporativas de engenharia, tecnologia, financeira e de sustentabilidade. A última revisão dos planos de descomissionamento foi feita com o envolvimento das comunidades e com a construção de agendas sociais, cujo objetivo é o desenvolvimento das localidades.

O desenvolvimento de atividades de mineração possui especificidades relacionadas à localização e à vida útil dos empreendimentos, que trazem modificações socioambientais que precisam ser devidamente acompanhadas ao longo de todo o seu ciclo de vida, em especial no que tange à fase de encerramento, onde há a desmobilização de um grande número de postos de trabalho, redução da arrecadação direta e indireta dos municípios e potenciais impactos no desenvolvimento e continuidade de negócios, criados para suportar as atividades operacionais.

Como forma de assegurar um fechamento adequado e deixar um legado para a comunidade após o encerramento das operações, o descomissionamento de uma instalação minero-industrial da Nexa é planejado com o mesmo cuidado da sua implantação. O processo envolve aspectos sociais, ambientais e econômicos e é considerado estratégico nos pilares de gestão, que utiliza as melhores práticas do mundo.

Para acompanhar a materialidade e seus desdobramentos, ao longo dos últimos anos a companhia desenvolveu e aprovou políticas e procedimentos corporativos com diretrizes de elaboração, atualização, aprovação e gestão dos planos de descomissionamento. Sendo que, atualmente, esses planos são considerados documentos de caráter técnico, que contêm orientações para uma desativação segura, completa e eficiente, em que estão contempladas ações de natureza econômica, ambiental e social.

A elaboração desses documentos segue quatro etapas de base, detalhadas ao longo do ciclo de vida da operação, a saber:

ETAPA 1:

É realizado o diagnóstico socioambiental das áreas da unidade e dos municípios onde as operações estão inseridas. O diagnóstico contempla a caracterização das potencialidades e limitações relacionadas ao meio físico, biótico e socioeconômico e tem como objetivo realizar o mapeamento de potenciais usos futuros para a área.

ETAPA 2:

Embasados no diagnóstico da fase anterior, os usos futuros mapeados são avaliados por meio de uma análise multicritério que avalia riscos e identifica qual a utilização mais bem indicada sobre o ponto de vista técnico e econômico para a área em questão. A visão de uso futuro traz um olhar de longo prazo para os públicos interno e externo, possibilitando alternativas que gerem valor para a empresa e municípios após o encerramento das atividades de mineração.

ETAPA 3:

São definidas as ações de descomissionamento que devem ser implementadas para o meio físico, biótico e socioeconômico a fim de se alcançar o uso futuro pretendido.

ETAPA 4:

Ocorre a valoração das ações de descomissionamento definidas na etapa 3, as quais embasarão a execução dos planos e cujo valor global irá subsidiar a provisão financeira de descomissionamento da unidade.

Ao fim da quarta etapa, o plano de descomissionamento é consolidado e acompanhado pela unidade. Esse documento é elaborado em sua primeira versão em nível conceitual, devendo evoluir para nível de projeto básico e executivo em decorrência da aproximação do fim da vida útil da unidade e das estruturas que a compõem. Uma vez implementados, esses planos são também acompanhados de relatórios de monitoramento.

Após a elaboração, os documentos passam por alçadas de aprovação nos âmbitos de unidade, comitê corporativo, diretoria, e, por fim, pela área financeira, que realiza o registro contábil com a provisão de desembolso para a execução do descomissionamento.

Nessa trajetória, como forma de estarem alinhados com todas as referências técnicas aplicáveis, os planos passam pelo olhar de diferentes áreas: Meio Ambiente, Saúde e Segurança, Projetos Sociais, Relações Institucionais e Comunicação, Planejamento Estratégico, Controladoria, Engenharia, Exploração Mineral, Desenvolvimento Humano e Organizacional, Compliance e Jurídico.

De acordo com as diretrizes estabelecidas, todas as operações e novos projetos da empresa devem possuir um plano de descomissionamento atualizado, com um processo transparente para todos os stakeholders envolvidos. Essas orientações assumem uma responsabilidade bem maior do que impõem as legislações do Brasil e Peru, onde há operações da Nexa.

Dentro desse contexto, para o sucesso da sua implantação, as etapas de concepção de novos projetos e operação das unidades de mineração e metalurgia passaram a integrar também a visão futura de fechamento, que traz um horizonte de continuidade do desenvolvimento socioeconômico na região pós-fechamento.

O trabalho foi desenvolvido com uma visão estratégica de sustentabilidade, que interliga aspectos ambientais, sociais e econômicos e está alinhada com as diretrizes de planejamento de curto, médio e longo prazos da companhia. Além disso, os diagnósticos dos meios físico, biótico e socioeconômico das localidades foram atualizados com o levantamento de restrições e potencialidades de desenvolvimento local em curto e longo prazos. Foi feito também um levantamento de estruturas civis e equipamentos, visando identificar o que pode ser reaproveitado e o que deve ser destinado para outras operações de maneira correta após a desativação.

A revisão dos planos de descomissionamento foi feita com participação da comunidade e com a construção de uma Agenda Social, diálogo realizado de forma participativa com representantes da comunidade, poder público e entidades da sociedade, cujo objetivo é o desenvolvimento de um Plano de Desenvolvimento Local (PDL).

Com os dados levantados e com os resultados alcançados, foi estabelecido um cronograma físico-financeiro para o descomissionamento das plantas, que atualmente inclui medidas prévias e posteriores ao fechamento, como forma de se estabelecer e acompanhar os indicadores de evolução.

Somado à atualização dos documentos, foram observados avanços de execução em algumas unidades operacionais que, apesar de ainda possuírem um horizonte de vida útil superior a dez anos, obtiveram os seguintes resultados expressivos: recuperação de 292 hectares, o equivalente a cerca de 600 campos de futebol envolvendo cavas, pilhas de estéril, antigas áreas de processamento mineral, o que criou um ambiente favorável para a ampliação de espécies da fauna. Entre 2013 e 2017, o número de espécies de fauna encontradas nestas áreas reabilitadas teve um incremento de 108% para mamíferos, 140% para répteis, 174% para aves e 250% para anfíbios. Para as aves, o número de espécies quase triplicou e, atualmente, são encontradas, apenas nesta área, aproximadamente 17% das espécies existentes no cerrado brasileiro. Além disso, a revisão do diagnóstico social local identificou o potencial de desenvolvimento de atividades de ecoturismo (aproveitando o potencial natural da região), ensino (estruturas de mineração da unidade) e de turismo religioso, o que embasou a elaboração de uma agenda de desenvolvimento social para a localidade.

A figura a seguir apresenta uma visão de antes e depois de uma das dessas áreas.

O envolvimento da liderança da Nexa e o desenvolvimento da visão de longo prazo foram fundamentais para a inserção do tema nas diretrizes estratégicas da companhia e para o alcance dos resultados descritos, culminando em um trabalho que será replicado para a disseminação de boas práticas no setor.

AVANÇOS NO DESCOMISSIONAMENTO PROGRESSIVO DE VAZANTE

A evolução do plano de descomissionamento da unidade de Vazante, em Minas Gerais, ilustra como o processo é conduzido. O objetivo é alcançar a estabilidade física, química e biológica na área, bem como reduzir os impactos negativos, deixando um legado socioeconômico e cultural positivo.

O início da mineração de zinco em Vazante foi em 1969 e, desde então, a Nexa investe em extensão de vida útil da unidade. A previsão atual, baseada em reservas prováveis e confirmadas, é de que a mina opere até 2027, embora existam atividades de pesquisa e desenvolvimento de recursos minerais em curso que podem estender esse horizonte. O plano atual foi construído a partir de um diagnóstico do meio físico, biótico e socioeconômico que identificou as potencialidades e limitações da região e embasou a construção de um plano de uso futuro para a área, o qual deve ser revisado a cada cinco anos. No levantamento, foi identificado o potencial de desenvolver atividades de ecoturismo (aproveitando o potencial natural de cavernas e grutas da região), ensino (estruturas de mineração da unidade) e de turismo religioso (Festa da Nossa Senhora da Lapa). Alinhado a esse processo, foi construída uma Agenda Social, diálogo realizado de forma participativa com representantes da comunidade, poder público e entidades da sociedade civil, cujo objetivo foi elaborar um PDL.

O plano prevê, ainda, medidas de caráter ambiental (meio físico, químico e biológico), como ações de recuperação de áreas degradadas e alternativas de desenvolvimento local após a desmobilização de nossos ativos. No aspecto ambiental, consistentes avanços vêm sendo registrados. O investimento nos últimos cinco anos foi de US$ 2,5 milhões, pouco mais de 10% dos US$ 21,4 milhões orçados para os próximos cinco anos e que culminaram em:

› Recuperação de 292 hectares, o equivalente a cerca de 600 campos de futebol;

› Descomissionamento de duas antigas unidades de processamento e concentração de minério, incluindo uma instalação que não foi operada pela Nexa, mas foi incorporada à área de servidão em decorrência dos projetos de extensão de vida útil;

› Uma cava descomissionada e quatro parcialmente descomissionadas, em um total de dez existentes;

› Cinco pilhas de estéril descomissionadas, em um total de oito existentes;

› Uma das duas barragens de rejeito, descomissionada e descaracterizada pela Fundação Estadual de Meio Ambiente de Minas Gerais (Feam).

A cobertura vegetal reposta nessas áreas criou um ambiente favorável para a ampliação de espécies da fauna, sendo que o monitoramento desse indicador tem demonstrado grande evolução nos últimos cinco anos. Como exemplo, na cava da Lumiadeira e pilhas de estéril do entorno, o número de espécies de fauna encontradas teve um incremento de 108% para mamíferos, 140% para répteis, 174% para aves e 250% para anfíbios, entre os anos 2013 e 2017. Para as aves, o número de espécies quase triplicou, e atualmente são encontradas, apenas nessa área, aproximadamente 17% das espécies existentes no Cerrado brasileiro.

CONTEXTO SOCIAL ASSOCIADO AOS PLANOS DE DESCOMISSIONAMENTO E DESENVOLVIMENTO LOCAL

Ao longo dos últimos anos, a Nexa passou por uma série de mudanças em sua governança e recebeu de seu Conselho um mandato ambicioso para o ciclo 2025. O Desenvolvimento Local se tornou um tema material para a empresa com a meta de alcançar 90% de efetividade nos Planos de Desenvolvimento Locais a serem construídos em parceria com os stakeholders das comunidades onde atua e impacta.

Para tal, realizou-se entre 2015 e 2016 um grande diagnóstico socioeconômico levantando mais de 147 indicadores socioeconômicos e culturais, alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), contrastados e analisados com entrevistas e pesquisas de campo. Esse processo muniu o diagnóstico socioeconômico dos planos de descomissionamento de informações necessárias para a identificação de potencialidades e limitados de uso futuro para a área das operações e para as regiões onde as unidades estão inseridas.

Ao longo de 2017 iniciou-se a construção das Agendas Sociais, que são fóruns de diálogo com as comunidades para disseminar, discutir e priorizar os principais temas, objetivos e frentes de trabalho para o desenvolvimento local.

O processo das Agendas Sociais levou, de forma didática, os ODS para municípios do interior do Brasil de forma participativa e coletiva, públicos interno e externo à empresa, que já soma mais de 940 participações em 92 momentos de diálogo distribuídos por seis municípios de área de atuação. Os temas que têm sido priorizados para serem trabalhados nos Planos de Desenvolvimento Local (PDL) são: educação formal, complementar e profissionalizante; diversificação econômica e acesso ao emprego e renda; fortalecimento da gestão pública e participação social; saúde e saneamento básico.

Esse processo contou com a participação de 619 pessoas em 52 momentos de diálogo com as unidades localizadas no Brasil, sendo 377 participações externas de representantes do empresariado local, poder público, sociedade civil organizada, organizações educacionais, líderes comunitários, mídia, comunidade em geral; e 242 participações internas das diversas áreas da empresa, desde nível de liderança até operacional.

Como principais destaques observados, listam-se a promoção do envolvimento das lideranças das unidades em prol de um tema que beneficia tanto o público interno quanto o externo; o aumento da consciência social do público envolvido; representatividade expressiva de participantes externos; inclusão de jovens e públicos mais vulneráveis no diálogo; e trocas de conhecimento entre os participantes e diferentes setores. E como principais dificuldades e oportunidades de desenvolvimento estão: o baixo nível de maturidade e conhecimento inicial dos temas por parte do público envolvido; visão de curto prazo; interesses individuais versus senso de coletivo; conhecimento dos impactos ambientais e operacionais; e falta de diálogo para além das instituições formais.

Como resultado final, cada unidade definiu seu Plano de Desenvolvimento Local, cuja agenda vinculada ao horizonte de longo prazo, numa visão considerando o cenário de desenvolvimento pós-encerramento das operações, pode ser resumida em quatro temáticas principais, que estão sendo desenvolvidas em programas corporativos:

  1. Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda: programa corporativo alinhado aos ODS 8 e 11, com o objetivo de promover socialidades com economia diversificada e atrativa, incluindo diversos setores produtivos, ofertando oportunidades para seus habitantes
  2. Infância e Juventude: programa corporativo alinhado aos ODS 10 e 4, com o objetivo de ter indivíduos com conhecimento e habilidades para estabelecer seu papel no desenvolvimento social.
  3. Gestão Pública, Participação Social: programa corporativo alinhado aos ODS 11, 16 e 17, com o objetivo de ter grupos e instituições capacitados e atuantes para solucionar problemas e criar oportunidades de forma articulada.
  4. Saúde preventiva, saneamento e acesso à água: programa corporativo alinhado aos ODS 3, 6 e 10, com o objetivo de apoiar o acesso às necessidades básicas a grupos em situação de vulnerabilidade que reverberam em problemas de saúde pública.

A metodologia desenvolvida está sistematizada em políticas e padrões operacionais da empresa, e todas as etapas de implementação das Agendas Sociais estão sistematizadas em relatórios de acompanhamento padronizados para todas as localidades, com dados, análises, fotos e evidências das atividades realizadas e seus resultados. Os Planos de Desenvolvimento Locais possuem sistematização própria (produtos) em Excel e Word/PDF.

Em uma visão global, concluímos tratar-se de um processo robusto e pioneiro de diálogo e construção conjunto, em com comunidades, de planos de desenvolvimento local e visão de uso futuro, que trouxe ganhos relevantes para a disseminação e integração da empresa entre os diversos níveis hierárquicos e áreas de atuação, incluindo de fato o olhar social na rotina, processos e prioridade do negócio.

A NEXA RESOURCES

Produtora de zinco com mais de 60 anos de experiência no desenvolvimento e operação de ativos de mineração e metalurgia na América Latina, a Nexa Resources possui cinco minas subterrâneas, três localizadas nos Andes centrais do Peru e duas no Brasil, localizadas no estado de Minas Gerais. Duas das minas de zinco da companhia, Cerro Lindo, no Peru, e Vazante, no Brasil, estão entre as 12 maiores do mundo. A Nexa faz parte do portfólio de empresas investidas da Votorantim – um dos maiores conglomerados empresariais da América Latina – e tem ações negociadas nas bolsas de Nova Iorque (NYSE) e Toronto (TSX).  Encerrou 2017 com 5.446 empregados próprios e 7.367 contratados de terceiros, apresentando uma receita líquida que totalizou US$ 2,4 bilhões no ano e um EBITDA ajustado de US$ 668 milhões.

 

Case certificado pelo Programa Benchmarking Brasil, edição 2018.