CASES & CAUSOS

Décio Clemente
Atua na área de marketing há mais de 30 anos e é colunista da rádio Jovem Pan de São Paulo.

Um conhecido publicitário de São Paulo, respeitado no meio, pai de família, elegante, charmoso e supereducado, tinha os seus momentos recorrentes de sedução. Ficava descontrolado quando via mulheres bonitas. Não quero criticá-lo por isso, mas que o cara exagerava nas cantadas, exagerava. Atirava para tudo quanto é lado e, como fazia um relativo sucesso, acabou paquerando e conquistando muitas moças da agência que passavam à sua frente.

A conversa dele era sempre a mesma: “infeliz no casamento e prestes a se separar”. A cantada funcionava, só que era uma grande mentira, porque ele vive com sua santa esposa até hoje e nunca cogitou de sair de casa.

Certa vez, o publicitário se envolveu tanto com a moça que acabou tendo um relacionamento por quase 10 anos. Ela veio do interior, começou como estagiária, mas, pelas mãos de nosso “mestre”, acabou ganhando espaço na empresa. Ele prometeu tudo para a amante, inclusive casamento, mesmo porque o caso já estava durando demais. A moça já até conhecia a esposa de nosso herói, apresentada pelo próprio, porque sua mulher, de vez em quando, ligava para a agência e quem atendia era a moça, que antes de passar a ligação conversava brevemente sobre sua história frustrada com um homem casado. E o que é pior: a esposa de nosso amigo aconselhava a funcionária a insistir no caso, já que, segundo ela, o namorado em questão deveria ser muito infeliz em casa; do contrário, o caso entre eles não duraria tanto tempo assim.

Mas certa vez, em uma véspera de Natal, tocaram a campainha na casa do nosso amigo. A esposa abre a porta, e quem aparece é a mocinha da agência, que estava passando por lá apenas para desejar boas-festas. Nosso herói estava no andar de cima e não havia percebido que sua amante estava na sua casa. Quando desceu, viu sua fiel esposa em um animado bate-papo com a donzela. O assunto principal era o amante casado que ela tinha.

Ao verem nosso amigo na sala, o convidaram para sentar e acompanhar a conversa. A esposa explicou que a moça tinha um namorado há 10 anos, o problema era que o homem não conseguia se livrar da mulher. O conselho dela era que a menina insistisse no caso, porque uma hora o bonitão iria abandonar a esposa e assumir a amante. Perguntou para o marido o que achava dessa ideia.

O velho publicitário, impávido, segurou um lado de seu bigodinho branco, olhou firme para a donzela, suspirou, empostou a voz e sentenciou: “minha filha, largue esse homem, com certeza é um grande cafajeste”. Consta que a moça saiu de lá chorando e, para sorte de nosso amigo, nunca mais apareceu na agência.