A Termotécnica publicou em 2017 o seu 5º Relatório de Sustentabilidade, que se transformou em uma ferramenta de gestão ambiental, melhorando seus indicadores, aproximando-se de seus stakeholders e tornando-se uma empresa referência em sustentabilidade no Brasil.

TERMOTÉCNICA

Albano Schmidt – presidente da Termotécnica

A Termotécnica é líder no mercado brasileiro de embalagens de produtos e a maior transformadora de EPS (isopor) da América Latina. Focada na produção de soluções, é verticalizada desde a matéria-prima até a ferramentaria.

Na linha branca, valoriza e protege os produtos de seus clientes. Seus serviços vão desde o abastecimento da linha de produção do cliente até a cadeia de logística reversa pós-consumo. Acredita na inovação, ética e sustentabilidade para seu desenvolvimento e a concretização de parcerias duradouras.

Neste case, abordamos de que forma o Relatório de Sustentabilidade é utilizado como uma ferramenta para a melhoria da Gestão Ambiental da Termotécnica.

A publicação dos relatórios teve início em 31/3/2013, com a participação de 180 voluntários (30 comunidades, 100 clientes, 50 fornecedores) e 1.200 colaboradores remunerados. Já foram beneficiadas 1.380 pessoas – de comunidades vizinhas, organizações comunitárias e entidades educacionais.

O PROBLEMA AMBIENTAL IDENTIFICADO NO PRO JETO

A Termotécnica possuía poucos indicadores de gestão ambiental que não seguiam um referencial internacional como o do GRI – Global Report Initiative. Com isso, o benchmarking, a definição de metas, o monitoramento e as melhorias eram realizadas de maneira inadequada.

Os stakeholders também não visualizavam a preocupação da empresa com os temas ligados à sustentabilidade, como gestão de resíduos e outros aspectos ambientais, pois a empresa não possuía uma comunicação transparente e abrangente com seus públicos.

A imagem do seu principal material comercializado, o EPS – popularmente conhecido pelo nome isopor – sempre foi negativa, devido à poluição visual que ele pode causar quando descartado de forma incorreta. O programa de logística reversa e reciclagem do EPS igualmente não era conhecido pelos stakeholders.

A SOLUÇÃO ENCONTRADA

Em 2012, a Termotécnica revisou seu planejamento e definiu em seu mapa estratégico, que segue o modelo BSC – Balanced Scorecard, o objetivo de ser referência em sustentabilidade.

A diretoria da empresa estimulou a criação de um Comitê de Sustentabilidade para construir e acompanhar iniciativas relacionadas ao tema. O primeiro Relatório de Sustentabilidade, relativo ao ano de 2012, teve o compromisso de reportar os indicadores conforme o GRI, traçando objetivos e metas ambientais a serem alcançados nos próximos anos, e com isso gerar melhor desempenho e reputação para seus stakeholders.

No ano seguinte, o documento evoluiu consultando os públicos de interesse. Foram priorizados clientes, fornecedores, comunidade e colaboradores. A partir de pesquisas específicas, a empresa consolidou sua matriz de materialidade e buscou dar mais atenção e visibilidade aos aspectos priorizados por seus públicos de interesse.

No Relatório de 2014 várias melhorias já são apresentadas em linha com as demandas priorizadas e com a estratégia de sustentabilidade da empresa, que está baseada em economia sustentável, valorização das pessoas e gestão e desempenho ambiental.

DETALHAMENTO DO PRO JETO E DE QUE FORMA É DESENVOLVIDO

A Termotécnica tem como um dos seus objetivos estratégicos ser referência em sustentabilidade e, em 2013, observando a necessidade de monitorar seus indicadores de gestão ambiental, criou o seu Comitê de Sustentabilidade.

Formado por pessoas das mais diversas áreas (diretoria, gestão de pessoas, marketing, engenharia, processos, manufatura, sustentabilidade, segurança do trabalho, financeiro, projetos, logística, entre outros) além de consultores externos, o Comitê tem como objetivo coletar as informações para a construção do Relatório e monitorar os indicadores relevantes para a empresa e para os públicos interessados.

A Termotécnica iniciou em 2012 seu ciclo anual de produção de relatórios de Sustentabilidade no modelo GRI. O Relatório de Sustentabilidade 2014 é o terceiro a ser publicado; inclui todas as operações da empresa nesse ano civil e foi preparado com base na opção de acordo essencial das diretrizes G4.

A definição de conteúdo do primeiro relatório (2012) foi feita a partir da percepção do Comitê de Sustentabilidade Termotécnica, formado por profissionais de diversas áreas da empresa. No segundo relatório (2013), a Termotécnica ouviu os quatro públicos de maior impacto para a organização – colaboradores, clientes, fornecedores e comunidade –, para definir os temas mais relevantes que deveriam ser reportados. A consulta a esses públicos incluiu a apresentação das categorias e indicadores de desempenho do GRI, para que apontassem aqueles que consideravam de maior impacto no seu relacionamento com a empresa.

Nos diálogos com clientes e colaboradores, a empresa utilizou instrumentos que faziam parte de seu processo de relacionamento com os respectivos públicos. Já a comunidade e os fornecedores foram alvo de processos de engajamento motivados pela produção do relatório.

O engajamento com os clientes e os fornecedores é relatado dentro da estratégia de Economia Sustentável; e os diálogos com colaboradores e comunidade são relatados na estratégia de Valorização das Pessoas. Os temas considerados muito importantes ou importantes pelo Comitê de Sustentabilidade ou pelos públicos ouvidos passaram a constituir a matriz de materialidade.

Com a migração do relatório para a versão G4, alguns membros do Comitê receberam capacitação, de modo a atualizar e internalizar os novos conceitos na empresa. No Relatório de 2014 a diretoria da Termotécnica priorizou os temas constantes na matriz inicial, identificando o foco do relato na estratégia sustentável. Por meio do Relatório de Sustentabilidade, a empresa expressa de forma detalhada a sua estratégia para a sustentabilidade.

A estratégia sustentável da Termotécnica está baseada em três pilares: Economia Sustentável, Valorização das Pessoas e Gestão e Desempenho Ambiental.

Economia Sustentável: O valor econômico gerado e distribuído é um aspecto fundamental para a perenidade do negócio, e por isso de extrema relevância, tanto para a empresa quanto para seus clientes, colaboradores, fornecedores e sociedade.

A estratégia da Termotécnica para o crescimento sustentável no mercado passa por três pilares:

1) Maximizar negócios existentes, fortalecendo a proposta de valor e ampliando a satisfação dos clientes.

2) Investir em inovação empreendedora, desenvolvendo produtos e soluções que proporcionam ganhos econômicos e ambientais em relação aos itens convencionais.

3) Ampliar a logística reversa e a reciclagem do EPS. Comprometer-se com políticas e práticas para a redução de resíduos, contribuindo de forma decisiva para o atendimento das exigências da Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Valorização das Pessoas: Este aspecto traduz a visão de ser uma empresa de Classe Mundial, em que seus colaboradores tenham prazer e orgulho de trabalhar, observados três dos cinco valores: resultado com ética, respeito e transparência com as pessoas e atitudes honestas e construtivas. Reflete, também, indicadores relevantes apontados no diálogo com fornecedores, colaboradores e sociedade. São eles: treinamento e educação, conduta e direitos humanos, saúde e segurança.

Gestão e Desempenho Ambiental: Num cenário de escassez de recursos naturais, a prática e os investimentos em ecoeficiência são de grande relevância para todas as operações da empresa e para a sociedade. Entre os impactos ambientais decorrentes do ciclo de vida dos produtos fabricados em EPS, a Termotécnica vem atuando para contribuir com o uso racional de materiais, água e energia. A redução e a reciclagem de resíduos são constantemente observadas. O cuidado com emissões e efluentes devolvidos ao ambiente – e a proteção em relação a derramamentos químicos – também são fundamentais para minimizar impactos ao meio ambiente.

RESULTADOS ALCANÇADOS

A partir da publicação do primeiro Relatório de Sustentabilidade, a empresa passou a ter maior visibilidade, transparência e credibilidade em suas ações. O Relatório serve como uma ferramenta de gestão, pois a empresa passa a traçar os objetivos para o próximo ano e gerir melhor seu desempenho.

Para a construção da matriz de materialidade do Relatório, aconteceram consultas aos públicos interessados, o que gerou uma maior aproximação. A empresa passou a monitorar muitos aspectos ambientais e sociais que não eram observados no dia a dia.

Durante esse ciclo de emissão dos Relatórios, vários

progressos foram alcançados, tais como:

Aumento do uso de energias limpas; zero acidente nas unidades de Manaus, Goiânia, Sapucaia do Sul e Petrolina e redução nas demais

Redução de 27% na geração de resíduos; zero parada de linha em clientes.

Inauguração de unidade própria em Petrolina, que contempla premissas de ecodesign em seu projeto.

Ampliação do Programa Reciclar EPS, que já totaliza mais de 30 mil toneladas de EPS reciclados no Brasil.

Aumento no índice de produtos recuperados em relação ao total de produtos vendidos; homologação no PBQPH (Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade no Habitat) do sistema construtivo Monoforte, que contribui para redução do consumo de energia e desperdícios na obra.

Lançamento da conservadora DaColheita, para frutas, que contribui para redução do desperdício na cadeia alimentar em linha com os conceitos do Save Food.

Com o trabalho desenvolvido, a empresa recebeu reconhecimentos externos, tais como: a empresa mais sustentável do Brasil no setor químico, e uma das mais sustentáveis do país, de acordo com o Guia Exame de Sustentabilidade 2015, que a destacou ainda na categoria Gestão de Resíduos; Prêmio Ser Humano SC 2014 e 2015; Prêmio Boas Práticas de Defesa do Meio Ambiente, em Rio

Claro/SP 2013; Prêmio de Inovação de Joinville 2014; Troféu e Certificado de Responsabilidade Social da Alesc 2013 e 2014; Prêmio Catarinense da Excelência, categoria 500 pontos, troféu bronze; finalista do Prêmio Nacional de Inovação da CNI; eleita em 2014 e 2015 como uma das Melhores Empresas para Trabalhar no Brasil, de acordo com a revista Você S/A; Prêmio Finep de Inovação 2013, com o case “Programa Reciclar EPS (Poliestireno Expandido): Da Logística Reversa a Novos Produtos – Como a Termotécnica tornou isso um negócio viável”.

DETALHAMENTO DOS RESULTADOS

Aumento do uso de energias limpas em 17%. – Atualmente, a biomassa utilizada nas unidades de Manaus, Rio Claro e São José dos Pinhais ocupa o maior percentual da matriz energética: 56,9%. Desde 2011, quando começou a acompanhar esse indicador, a Termotécnica ampliou em 17 pontos percentuais a participação da biomassa, um recurso renovável, e reduziu em 15 pontos percentuais a utilização do óleo BBF, combustível fóssil derivado do petróleo.

Redução em 17% do descarte total de água, por qualidade e destinação – Em 2014, a geração de efluentes industriais resultantes das operações da planta química, em Joinville, diminuiu na mesma proporção em que foi reduzido o consumo de água na transformação.

Valor monetário de multas significativas e número total de sanções não monetárias resultantes da não conformidade com leis e regulamentos ambientais – A Termotécnica não sofreu sanção ou multa em 2014, pois atendeu aos requisitos da legislação ambiental.

Número e volume totais de derramamentos significativos – Em 2014 não houve nenhum derramamento nas unidades fabris da Termotécnica.

Redução de gases de efeito estufa – A racionalização da logística de transporte do EPS é estratégica para a redução das emissões. Em 2014, a Termotécnica contou com iniciativas que reduzem o impacto nesse sentido. Desde 2012, a unidade de Rio Claro vem sistematizando o processo de fretes, para reduzir o consumo de diesel e, consequentemente, as emissões resultantes do combustível. Em 2014, a Termotécnica substituiu os fretes rodoviários de matéria-prima entre Joinville e Manaus pelo uso da cabotagem, um meio de transporte com vantagens, tais como a menor emissão de gases de efeito estufa e redução do impacto na malha rodoviária brasileira. As emissões totais de CO2 foram reduzidas de 668 para 555 toneladas métricas/ano, no período de 2012 a 2014.

Peso total de resíduos, por tipo e método de disposição – A Termotécnica vem investindo na gestão e monitoramento da geração de resíduos sólidos, especialmente na matriz, em Joinville, onde está instalada sua planta química. Em 2014, a empresa reduziu em 17% a geração de resíduos não perigosos e diminuiu em 27% a geração de resíduos perigosos, em relação a 2013.

Investimentos e gastos em proteção ambiental – Em 2014, os investimentos em proteção ambiental foram superiores ao patamar de 2012, representando em torno de R$ 5,2 milhões. Uma parcela significativa destes recursos foi destinada à ampliação da infraestrutura e da capacidade para o negócio de reciclagem do EPS. Essa é uma ação estratégica para ampliar o uso desse produto 100% reciclável, em um cenário de entrada em vigor da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que visa a destinação correta dos resíduos e o fim dos lixões nos próximos anos. A Termotécnica também realizou investimentos significativos na modernização e adequação dos seus sistemas de combate a incêndios em diversas unidades. Desde 2009 os investimentos na área ambiental totalizam aproximadamente R$ 23 milhões.

Materiais usados por peso na transformação – A queda no consumo de matéria-prima nos últimos anos reflete a estratégia da Termotécnica de crescer de forma sustentável, reduzindo a quantidade de itens de seu portfólio e concentrando-se na fabricação de produtos ecoeficientes, que agregam mais valor ao mercado e maior rentabilidade à empresa, com menor quantidade de insumos. Em 2014, a receita operacional bruta cresceu 3,7% e o consumo de matéria-prima caiu 4,0%, o que se reflete em redução do impacto ao meio ambiente.

Produtos/embalagens recuperados em relação ao total de produtos vendidos – O percentual de EPS pós-consumo recuperado manteve-se na média de 18%.

Percentual dos materiais usados provenientes de reciclagem – O mercado de bens duráveis, maior consumidor de embalagens de EPS no país, passou por uma retração significativa em 2014, especialmente nas linhas branca e marrom. Apesar do cenário de menor disponibilidade de EPS pós-consumo, a Termotécnica manteve estável o percentual de materiais usados provenientes da reciclagem, na faixa de 17%. Esse resultado foi possível graças aos esforços contínuos para a captação de embalagens por meio de uma ampla cadeia de Logística Reversa que envolve todos os elos da cadeia do EPS (indústrias, clientes, varejistas, cooperativa de catadores e gerenciadores de resíduos sólidos) e, também, à intensificação de ações de disseminação da cultura de reciclagem, como o lançamento do Portal Reciclar EPS. Acesse e confira em www.reciclareps.com.br

De uma forma geral, 2014 foi um ano de investimentos em inovação empreendedora, reafirmação de valores e princípios – como direitos humanos, relações de trabalho, meio ambiente e combate à corrupção (contemplados no Pacto Global da ONU, do qual nos tornamos signatários) – e de fortalecimento do vínculo com os stakeholders.

Ampliamos o diálogo com todos os que fazem parte de nosso negócio: os clientes, que ouvimos em fóruns específicos para entender e atender suas necessidades; a comunidade; os fornecedores, que contribuem para garantirmos excelência na produção e prestação de serviços; e os colaboradores, para os quais procuramos oferecer um bom ambiente de trabalho e condições de desenvolvimento – e que elegeram a Termotécnica como uma das 150 Melhores Empresas para Trabalhar no ranking da revista Você S/A, o que muito nos orgulha.

Conquista do Selo Nacional de Plásticos Reciclados – certificado da Abiplast para empresas adequadas aos conceitos de reciclagem, sustentabilidade e proteção ambiental.

Embora a Política Nacional de Resíduos Sólidos ainda não tenha alcançado o nível de cobrança a que se propõe para eliminar os lixões, continuamos investindo na logística reversa do EPS, um produto 100% reciclável, com baixo impacto no uso de recursos naturais. Participamos de importantes fóruns para divulgar a cadeia de reciclagem do EPS, ampliamos em 7% o número de agentes envolvidos no recolhimento desse produto pós-consumo e criamos o Portal Reciclar EPS.

Portal Reciclar EPS – A partir do endereço www. reciclareps.com.br, qualquer pessoa ou empresa em todo o Brasil pode encontrar um ponto de coleta e reciclagem. Ao clicar no link “Onde reciclar”, o site identifica sua posição e a direciona para o local mais próximo entre os mais de 1.200 pontos de coleta cadastrados.

Em 2014, os pontos de coleta de EPS, já existentes em Joinville e Pirabeiraba, foram implantados nas demais unidades da Termotécnica. Também foram realizadas 57 palestras no período, reunindo 975 participantes, e a tecnologia de reciclagem foi apresentada em importantes fóruns setoriais.

Outra ação do Projeto Reciclar EPS é o Desenvolvimento da Cadeia de Logística Reversa, com a participação de varejistas, cooperativas, gerenciadores de resíduos, indústrias e importadores. Em 2014, o número de parceiros envolvidos com o recolhimento do EPS pós-consumo aumentou 7%, totalizando 710 agentes, além dos cerca de 100 colaboradores da empresa envolvidos nesse processo.

PRINCIPAIS PRÁTICAS DE GESTÃO AMBIENTAL

A Termotécnica antecipou-se à PNRS (Política Nacional de Resíduos Sólidos) e desenvolveu alternativas inéditas para a reciclagem do EPS, até então um material rejeitado nas coletas seletivas. Iniciou a logística reversa das embalagens, agregando clientes, varejistas, concorrentes, fornecedores, importadores, catadores e consumidores.

Em 2007, com o projeto de logística definido, desenvolveu e implantou de forma pioneira o “Programa Reciclar EPS” com o propósito de coletar, por meio da logística reversa, as embalagens pós-consumo, desenvolvendo parcerias com cooperativas de triagem, indústrias e importadores. Com investimentos da ordem de R$ 10 milhões, instalaram-se unidades de reciclagem em Manaus,

Indaiatuba, Rio Claro, São José dos Pinhais, Joinville e Sapucaia do Sul.