CASES & CAUSOS

Décio Clemente
Atua na área de marketing há mais de 30 anos e é colunista da rádio Jovem Pan de São Paulo.

Em 2010, fui convidado para fazer um evento com futebol, que é minha especialidade. O presidente da empresa, que me conhecia, pediu para a área de marketing me contratar e fazer o evento comigo. Isso gerou um enorme ciúme na jovem diretora da companhia, que implantou um péssimo clima para cima de mim. Ela não se conformava em ter que engolir um “amigo” do presidente, e algo dando errado, seria a chance que precisaria para me dar um pé no traseiro. No dia do evento, pela manhã, no aeroporto, recebemos os convidados e os levamos para um hotel. O presidente deu as boas-vindas e a diretora fez a apresentação. Mas como a executiva queria me queimar, disse que, no fim dos jogos, aconteceria um grande espetáculo de fogos de artifício. Nessa hora, eu gelei porque ninguém havia encomendado fogos. Pelo menos, eu não lembrava disso. Quando rumamos ao estádio eu esclareci para ela que não teríamos fogos, já que não estava combinado. A diretora raivosa simplesmente sentenciou: “Se vira!”.

Por celular, chamei a minha produção e perguntei se tínhamos previsto os tais fogos e eles responderam que não, ninguém havia pedido. Não daria mais tempo e, além de tudo, não tínhamos orçamento. Voltei à tal diretora para informá-la da impossibilidade, mas a arrogante vira as costas e responde: “eu quero fogos no final, já falei ao presidente que te pedi.”

Muito preocupado, toquei o evento pensando em uma maneira de, no final, justificar a ausência dos fogos. Mas um milagre aconteceu. Na hora da entrega da taça aos campeões, do lado de fora do estádio, começaram a estourar fogos; coisa maravilhosa, o céu ficou todo iluminado, foi lindo. Pensei que alguém da minha equipe havia conseguido comprar, montar e estourar tudo na hora certa. Para esnobar, olhei nos olhos da megera e perguntei a ela, na frente do presidente, se tinha gostado dos fogos. Muitíssimo mal-humorada, ela respondeu que tinha achado bom, e o presidente falou: “como bom?!… Foi maravilhoso, fantástico! Parabéns, Décio”. Ela babava de raiva.

Quando fui falar com minha equipe para agradecer o feito, eles, espantados, juraram que não tinham nada a ver com aquilo, pensaram que eu é que tinha conseguido. Fui então perguntar a um dos seguranças do estádio, que respondeu: “os fogos? Não ‘seu’ Décio, coisa dos traficantes da favela do Fundão do Estádio. Costumam chamar os fregueses com fogos. É a senha para dizer que a polícia acabou de se mandar de lá”. Fiquei gelado, parei de esnobar a diretora e nunca mais toquei no assunto.