A busca por mais qualidade de vida em um país onde se está familiarizado com o clima e o idioma foi a oportunidade vislumbrada para um novo negócio da Plamarketing. O braço da empresa Agora em Portugal cuida da documentação, trâmites burocráticos e diversos interesses de brasileiros na nação dos nossos colonizadores. O empreendimento começou com o processo de cidadania portuguesa, mas já evolui para abertura de empresa, compra ou reforma de imóvel.

PLAMARKETING

A Plamarketing foi criada para gerar negócios entre os mercados europeu e brasileiro. Inicialmente, o foco era trazer para o país produtos editoriais com vendas milionárias no velho continente, sempre em parcerias com empresas espanholas, italianas e, principalmente, portuguesas. Ao longo dos anos, os laços com Portugal foram se fortalecendo, até que em 2014 a empresa deu início às atividades de cidadania portuguesa para brasileiros. As crises política e econômica no Brasil, um ano depois, impulsionaram o novo empreendimento como combustível na fogueira. Desesperançosas com os rumos do país, famílias inteiras decidiram recomeçar suas vidas longe daqui, e uma boa parte escolheu Portugal.

POPULAÇÃO EM QUEDA E INCENTIVO AOS ESTRANGEIROS

O pequeno país da Europa meridional ocupa uma área de 92 mil Km2 – menor do que o estado de Pernambuco – e conta com um pouco mais de 10 milhões de habitantes – população menor do que a do Paraná e do Rio Grande do Sul, cada uma com mais de 11 milhões de pessoas. Desde 2010, um declínio populacional preocupa as autoridades. Entre as principais causas estão os altos índices de migração e de mortes. Só em 2016, mais de 38 mil pessoas trocaram Portugal por outros países e 110 mil habitantes morreram. Nesse mesmo ano, houve um aumento no número de nascidos vivos (87 mil) em relação ao ano anterior (85,5 mil em 2015). Mas, como o número de mortos foi ainda maior (110 mil), registrou-se um saldo natural negativo (–23.409).

Relatório da ONU intitulado Estado da População Mundial aponta que a população lusa diminuiu em média 0,4% por ano entre 2010 e 2016. O mesmo documento apresenta o que pode ser o x da questão: Portugal é um dos quatro países cuja sociedade é mais envelhecida; 21% dos habitantes estão na faixa etária de 65 anos ou mais. Por isso, o governo português tem facilitado os processos de concessão de cidadania a estrangeiros, estimulando a entrada e regularização de cidadãos em idade ativa.

O INÍCIO DE TUDO

Ao contrário de muitos empreendimentos, o da cidadania portuguesa não surgiu de pesquisa de mercado, nem mesmo foi planejado. A iniciativa nasceu de uma experiência pessoal do sócio-fundador da Plamarketing. Neto de português, Márcio Saldanha resolveu, em 2011, pleitear da nação colonizadora a própria cidadania. Procurou um escritório que autoproclamava-se especializado, pagou os custos do processo e criou a expectativa de retirar sua certidão de nascimento portuguesa em poucos meses. O tempo passou e nenhum resultado lhe foi apresentado. Ao fim de três anos de espera e de € 3 mil gastos, amigos portugueses orientaram Saldanha a procurar uma advogada lisboeta. Tânia Paiva precisou somente de três meses para resolver a demanda do empresário. Bem impressionado e grato, ele chegou a indicar os serviços da advogada para amigos no Brasil até perceber a oportunidade de negócio. Propôs uma parceria, que foi prontamente aceita por ela, e em pouco tempo a Plamarketing passou a ofertar um novo serviço.

“Quando vi que estava sendo lesado pela empresa que contratei no Brasil, comecei a sondar amigos e conhecidos e fui descobrindo que não havia um serviço sério e competente na área, era tudo muito amador. E, ao mesmo tempo que crescia o desencanto pelo Brasil por questões éticas, políticas e econômicas, Portugal despontava como melhor opção para os brasileiros que queriam deixar o país. Foi quando percebi que poderia explorar esse mercado e ajudar muita gente”, afirmou Saldanha.

As consequências da crise mundial de 2008 atingiram Portugal com mais intensidade em 2012. Empresas fecharam as portas, a taxa de desemprego disparou e muitos portugueses seguiram para outros países. A recuperação, no entanto, não tardou. Aos poucos, os investimentos das grandes empresas começavam a retornar e o comércio e a indústria apresentavam reação. Já em 2014, a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi positiva, embora ainda timidamente. No ano seguinte – quando a Plamarketing passou a oferecer os serviços de cidadania – Portugal demonstrava um enorme vigor e poder de reação.

 

TAXA DE CRESCIMENTO DO PIB PORTUGUÊS

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EXPANSÃO E NOVA MARCA

A atração de brasileiros por Portugal foi crescendo a cada dia. Em três anos, quase uma centena de pessoas conquistaram o tão sonhado passaporte português por meio da parceria Saldanha-Paiva. Mas para recomeçar a vida em outro país, o público da Plamarketing precisa ir além da cidadania. Há demandas por abertura de empresa, compra, construção e reforma de imóveis, além de todos os procedimentos para instalação temporária para estudo e trabalho.

Novas parcerias foram fechadas – especialmente para atender as demandas no mercado imobiliário português, que vem crescendo vertiginosamente, despertando desejos nos mais diversos países. Casas de luxo são disputadas por celebridades mundiais e já há lista de espera para esse tipo de imóvel. Regiões como Porto, Cascais e Lisboa vêm recebendo grandes investimentos. Levantamento da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal aponta que, em 2017, um em cada quatro imóveis em Portugal foi comprado por estrangeiros. Os brasileiros estão em terceiro lugar na lista de nacionalidades, segundo pesquisa da Confidencial Imobiliário, atrás de chineses e franceses, mas se destacam pelo valor médio mais alto dos imóveis: em torno de € 900 mil.

Portugal subiu dois lugares no ranking mundial dos melhores países para investir em imóveis, ocupando agora a 3ª posição, atrás de Bélgica e Áustria, segundo relatório do Global Residence and Citizenship Program, de autoria da empresa global de consultoria de residência e cidadania Henley & Partners e que se tornou o padrão da indústria para benchmarking e medição da atratividade dos programas de migração.

Os planos de expansão das atividades da Plamarketing voltadas aos interesses de brasileiros na terra de Luís de Camões preveem o aumento das equipes no Rio de Janeiro e em Lisboa (das empresas parceiras) na ordem de 10% e o lançamento da marca Agora em Portugal. A expectativa para os próximos 12 meses é solicitar cidadanias de mil pessoas e, no ano seguinte, de mais duas mil. Em relação aos imóveis, a empresa espera vender no primeiro ano 30 casas e apartamentos na faixa entre € 300 mil e € 1,5 milhão. Após quatro décadas de ligações profissionais e pessoais com o país europeu, os sócios decidiram posicionar a marca como uma espécie de consultoria para brasileiros conectados com Portugal, ofertando orientações, apoio e atendimento customizado, respeitando as particularidades de cada cliente.

A TERRINHA… DOS BRASILEIROS

A capital portuguesa conta mais de vinte séculos de história, com arquitetura medieval e palácios grandiosos. Mas Lisboa também é moderna e cosmopolita. Tão diversas quanto as belezas de Portugal são as razões que levam milhares de brasileiros a atravessarem o Atlântico para viver na terrinha. Estabilidade, segurança, alta gastronomia, serviços públicos de qualidade, belíssimas praias, vida cultural intensa, mesmo idioma, clima ameno, porta de entrada para outros países do continente, entre outras.

Tantos atrativos justificam ser brasileira a maior comunidade de estrangeiros vivendo em território português. Oficialmente, são quase 82 mil pessoas hoje, mas o Consulado do Brasil em Lisboa estima que o número chegue a 120 mil, contabilizando quem está no país de forma irregular e quem tem passaporte europeu. Quase a metade (43%) dos estrangeiros que obtiveram cidadania portuguesa na última década é do Brasil e de Cabo Verde. Foram 60 mil brasileiros contemplados só entre 2008 e 2016. Os dados são do Instituto Nacional de Estatística (INE).

HISTÓRIA, FIGURINHAS E FASCÍCULOS

A Plamarketing foi criada há 25 anos, no Rio de Janeiro, pelo empresário Márcio Saldanha. Atuando como uma editora, com licença para exportar e importar produtos, especializou-se em trazer para o Brasil campeões de vendas na Europa – como coleções de fascículos com CDs de clássicos e álbuns de figurinhas. Ao longo dos anos, construiu parcerias em diversos países. Após o Plano Real, na década de 1990, a Plamarketing diversificou suas atividades atuando também nas áreas de propaganda e logística.