A Renova Energia, uma das maiores geradoras de energia renovável do Brasil, iniciou em 2012 estudos preliminares para a criação do Museu do Alto Sertão (MASB), primeiro museu de território do Nordeste brasileiro, ou seja, um museu que tem o território físico como referência para suas pesquisas e ações. O MASB foi formalmente criado em agosto de 2013, em Caetité, no estado da Bahia. A empresa tem a sustentabilidade com um dos pilares de sua atuação e entende que só se preserva aquilo que se conhece. O projeto MASB consiste em um processo de planejamento, criação, implantação e acompanhamento de um Museu de Território.

Renova Energia

Equipe de Meio Ambiente e Sustentabilidade da empresa

Desenvolvido de forma participativa, já tendo envolvido mais de 5 mil pessoas, ele toma o museu como ferramenta e o patrimônio cultural como recurso, afastando-­se da ideia de museu como espaço do antigo e do deleite, entendendo-­o como plataforma de discussão.

O MASB se projeta, assim, como processo voltado para a promoção social e econômica do ser humano, na forma de gerenciamento de seus recursos culturais e ambientais, mediante o investimento na ampliação e diversificação dos parceiros institucionais.

O INÍCIO

A implantação de parques eólicos no Alto Sertão da Bahia implicou na execução de pesquisas voltadas à valoração e estudo do Patrimônio Arqueológico e Histórico dessa região, pouco conhecida do ponto de vista científico.

Tais pesquisas asseguraram a avaliação e análise sistemática de centenas de sítios arqueológicos e históricos, bem como o resgate de um acervo expressivo, composto, no momento, por mais de 30 mil peças arqueológicas.

O desejo por parte da Renova em disponibilizar o resultado das pesquisas para as comunidades localizadas em seu território de atuação, somado à inexistência de instituições aptas a receberem e manterem os acervos gerados na região, impulsionou a discussão e criação do museu.

O projeto MASB tem como objetivo criar uma instituição voltada à preservação do patrimônio cultural do Alto Sertão, adotando esse território como campo de pesquisa e de intervenção social. Para tanto, o MASB visa integrar diversos agentes, instituições e segmentos sociais, cuja participação é fundamental para que as diferentes memórias, histórias e identidades sejam contempladas nesse museu.

Busca­se construir uma instituição de excelência, na qual os processos educativos propiciem diferentes leituras do mundo, contribuindo para o desenvolvimento sustentável da região a partir de uma ação descentralizada.

A Renova acredita na cultura como a base do sentimento de pertencimento, em que as comunidades, por meio de suas representações, se definem e se reconhecem. E é justamente o sentimento de pertencimento que dá a força, a “liga”, para que as pessoas pensem, decidam e ajam conjuntamente para o bem da coletividade – vetor de desenvolvimento sustentável.

METAS ESTRATÉGICAS para a implantação do Museu

1) Desenvolver um planejamento colaborativo da instituição por meio do envolvimento de segmentos diversificados do tecido social e de diferentes esferas do poder público;

2) Implantar o museu por meio de sua consolidação institucional, instalação da sede e fortalecimento e dinamização dos núcleos;

3) Consolidar as parcerias firmadas em termos jurídicos e institucionais, garantindo a sua continuidade;

4) Formar os atores locais nas temáticas do Patrimônio Material e Imaterial, Museologia Social, Turismo Comunitário e Desenvolvimento Territorial.

METODOLOGIA

O projeto vem sendo desenvolvido a partir de metodologia colaborativa e descentralizada no território, por meio de seminários de formação, oficinas e rodas de conversa, envolvendo a elaboração coletiva do planejamento institucional, o levantamento de bens patrimoniais entendidos como recursos culturais e a construção de mapas culturais e turísticos.

Esse movimento parte da premissa do autoconhecimento dos indivíduos e comunidades, em que o olhar para o território, ao ser aguçado, revela potencialidades antes invisibilizadas: os saberes, ofícios, formas de expressão, lugares, edifícios, paisagens e sítios arqueológicos são encarados como recursos a serem utilizados de forma sustentável, visando à melhoria da qualidade de vida dos envolvidos.

Nesse sentido, os atores locais são considerados enquanto “pessoas recurso”, as quais detêm os conhecimentos acerca do território e a capacidade de mobilização necessária a um projeto desse porte.

AÇÃO DESCENTRALIZADA

O MASB vem contribuindo para o aprimoramento do debate, notadamente no que concerne à dilatação dos olhares e envolvimento de diferentes atores e parceiros em uma proposta devotada ao desenvolvimento territorial em âmbito regional.

O Museu foi criado pela Lei 761, de 15 de agosto de 2013, do município de Caetité, a qual inclusive garante recursos para sua manutenção. Em junho de 2014, foi constituída a Associação de Amigos do Museu (Amasb), que tem como objetivo assessorar na administração e promoção de atividades do museu e captação de recursos públicos ou privados. Sua sede ficou pronta em 2016.

O regimento interno determina a inserção da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) como parceira que assegura o capital humano para o desenvolvimento técnico do museu. A ação descentralizada do projeto no território trouxe a discussão patrimonial para o centro dos debates acerca do passado, presente e futuro da região, conquistando o reconhecimento público do museu, certamente sua maior garantia de sustentabilidade.

PARTICIPAÇÃO

A participação dos atores do território é a base de sustentação do MASB. Nascido de uma demanda local, o museu envolveu internamente uma equipe interdisciplinar formada por 11 profissionais especializados, colaboradores da empresa e, externamente até o momento, 5.156 atores locais, sendo 2.490 durante o planejamento museológico e 2.666 na fase de implantação.

Em termos de abrangência territorial, são três os municípios envolvidos (Caetité, Guanambi e Igaporã). Essas cidades estão mobilizadas em dez núcleos, que funcionam como “antenas” ou postos avançados do museu, possibilitando o alcance de diferentes porções dos territórios urbano e rural, a saber:

  1. Escola Emiliana Nogueira Pita (Caetité);
  2. Comunidade Quilombola Pau­Ferro de Joazeiro (Caetité);

III. Movimento de Mulheres Camponesas (Caetité);

  1. Instituto de Educação Anísio Teixeira (Caetité);
  2. Sítio Arqueológico Moita dos Porcos (Caetité);
  3. Centro de Cultura (Igaporã);

VII. Colégio Municipal do Tamboril (Igaporã);

VIII. Comunidade Quilombola Gurunga (Igaporã);

  1. Comunidade Curral de Varas (Guanambi)
  2. Comunidade Pajeú do Josefino (Guanambi).

Esses núcleos são autônomos em suas decisões sobre os processos de musealização adotados, incluindo a existência ou não de acervos permanentes, sendo o principal foco o uso sustentável e qualificado do patrimônio como recurso. Esse e outros aspectos relativos à participação e sinergia dos atores locais na gestão do Museu estão descritos em seu Regimento Interno, no qual se destaca a existência de um Conselho Deliberativo com membros do MASB, Prefeitura Municipal de Caetité, Universidade Estadual da Bahia e núcleos museológicos.

ESTRATÉGIAS DE SUSTENTABILIDADE

Um projeto desse porte deve buscar desde seu início as alternativas para garantir sua sustentabilidade. O Plano Museológico previu dois eixos centrais que apoiariam as ações de sustentabilidade: (i) o engajamento dos atores sociais e (ii) as alternativas financeiras para continuidade das atividades.

Entre as principais ações já desenvolvidas como parte da estratégia de promoção e incentivo da sustentabilidade do projeto, destacam-se:

Mobilização do corpo técnico. Formalização do termo de parceria entre a UNEB e a Prefeitura Municipal de Caetité e a liberação da carga horária de 11 professores e técnicos envolvidos para dedicação exclusiva ao MASB e da contratação pela UNEB de uma Museóloga como profissional responsável pela gestão técnica do MASB. Além disso, a UNEB estruturou um plano de desenvolvimento dos profissionais cedidos ao museu e de outros profissionais da Universidade para a formação de mão de obra especializada, demandando cursos específicos. Nesse sentido, foi oferecido no Campus de Caetité, em 2016, um curso de especialização em Patrimônio e Cultura e em 2017 um curso de bacharelado em arqueologia.

Envolvimento do poder público municipal. O MASB foi criado institucionalmente como um Museu Municipal pertencente à cidade de Caetité, ligado à Secretaria de Educação. Dessa forma, tem um corpo de profissionais de apoio (auxiliar de serviços gerais, jardineiro, vigilante e porteiro) e de gestão (Gestor do MASB e um Técnico) garantidos no orçamento municipal e que estarão com dedicação exclusiva e à disposição do museu assim que sejam entregues as obras – previsto para o próximo mês de junho. Além disso, as despesas administrativas, como contas de água, luz, telefone e internet, também serão assumidas pelo poder público municipal de Caetité, garantindo o funcionamento da sede do Museu. Destaca-se ainda a busca de envolvimento de outros municípios do Território, uma vez que a proposta é de museu de território.

Busca por outras fontes de recursos. Já está implementada uma rotina de captação de recursos – por meio da articulação entre o Corpo Técnico e a Amasb – e a estruturação de uma sistemática de análise de editais de chamadas públicas. Até fevereiro de 2016, já foram apresentados três projetos para concorrer a editais.

Promoção da autonomia dos núcleos. Busca-se o fortalecimento e engajamento dos núcleos que integram o Museu para uma atuação mais autônoma e para a construção de uma rede integrada, mobilizada e com dependência positiva. A distribuição de equipamentos de infraestrutura (como computadores, impressoras, armários e câmeras fotográficas) e a formação de atores locais como Agentes de Cultura são ações integrantes dessa atividade de promoção da autonomia, incentivando os núcleos a pensar projetos próprios e as formas específicas de financiá-los e executá-los.

Busca por outras parcerias institucionais e territoriais. O grupo constituído por representantes do Corpo Técnico e da Amasb tem se empenhado também na construção de estratégias de aproximação com outras instituições e possíveis parceiros para a proposta. Nesse sentido, já foi realizada aproximação com o Colegiado Territorial de Cultura, com a Faculdade Guanambi, o Instituto Federal Baiano de Guanambi e o Centro Popular de Economia Solidária do Sertão Produtivo (Cesol).

Está sendo organizada uma apresentação do Museu para as empresas que atuam no território e que fazem resgate arqueológico. Essas empresas podem ser clientes do MASB no serviço de preservação do acervo, gerando receita para o Museu e mantendo os achados arqueológicos no território.

RESPONSÁVEIS

Equipe interna da empresa:

Ney Maron – diretor vice-presidente de Meio Ambiente e Sustentabilidade

Luciana Gutmann – gerente de Sustentabilidade

Solange Leite – coordenadora de Investimento Social Privado

José Carlos do Amaral Junior – analista de Responsabilidade Social

Luciana Menezes da Silva – analista de Responsabilidade Social

Dácio de Oliveira Neto – assistente de Responsabilidade Social

Equipe externa:

Consultoria Zanettini Arqueologia

Dr. Paulo Zanettini – Coordenação Geral – historiador e doutor em Arqueologia

Dra. Camila A. de Moraes Wichers – Coordenação Museológica – doutora em Arqueologia e Museologia

Bernardo de Carvalho – gestor do Projeto – cientista social e educador

Carine Moraes – colaboradora de campo – museóloga

Gabriela Farias – responsável pela Comunicação Visual – arquiteta

Manuelina Maria Duarte Cândido – consultora em Gestão e Formação Museológica – doutora em Museologia

Louise Prado Alfonso – consultora em Turismo Cultural – doutora em Arqueologia

Pablo Lisboa – consultor para criação da Identidade Visual – design gráfico

Guilherme Michelin – Projeto Arquitetônico – arquiteto

Marita Carlini – Projeto Arquitetônico – arquiteta

Paulo Farsette – consultor em Conservação e Restauro – arquiteto

Associação de Amigos do Museu – Amasb

Presidente: Rosa Lia Gondin

Vice-presidente/secretária: Patricia Fernandes

Diretora financeira: Milene Ladeia

Líder em energia eólica

Fundada em 2001, a Renova Energia é uma companhia brasileira de geração de energia elétrica renovável com atuação em matrizes eólica e solar e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs).

Desde 2009 sua atuação está fortemente concentrada em projetos de fonte eólica, mercado no qual é pioneira e detém a liderança. A Renova possui o maior complexo eólico da América Latina, localizado no interior da Bahia.

Como diferencial de destaque em sua atuação, está a qualificação para operar de modo integrado as várias etapas da cadeia de geração de energia, realizando prospecção, estruturação, execução e operação de projetos.

A Renova é uma das maiores empresas da América Latina focada em geração de energia renovável, sendo referência de mercado no seu segmento. A companhia desenvolve projetos de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) desde 2001 e opera três usinas no sul da Bahia.

A atuação em fonte eólica teve início em 2006 e desde então constitui o principal negócio da companhia. A empresa é líder em geração de energia por fontes renováveis no Brasil com 1,95 GW de capacidade instalada contratada. Além do maior complexo de energia eólica da América Latina, possui um extenso portfólio de projetos, com fator de capacidade acima da média.

A Renova ampliou seu portfólio, adicionando a ele 148,4 MW com a aquisição de 51% da Brasil PCH. É a primeira empresa do setor de energia renovável a ter suas ações listadas na Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa). Em seu bloco de controle estão a Cemig GT, a Light e a RR Participações (dos sócios fundadores Renato Amaral e Ricardo Delneri).

Este case foi certificado pelo Programa Benchmarking Brasil