A participação na WorldSkills, a competição internacional de profissões técnicas, permite ao SENAI buscar na experiência um dos indicadores para aferir a qualidade da educação profissional que oferece, atualizar os currículos dos seus cursos e aprimorar seus processos didáticos. O SENAI é a instituição brasileira credenciada na WorldSkills responsável pela delegação brasileira.

BRASIL, CAMPEÃO DA WORLDSKILLS

Jovens brasileiros são ídolos de estudantes de várias partes do planeta que desejam se tornar os melhores na carreira que escolheram. São os campeões da WorldSkills, a competição internacional de profissões técnicas, em que a velocidade e a perfeição em provas práticas garantem medalhas e, principalmente, sucesso profissional. Giovanni Kenji Shiroma, ex-aluno do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) que cresceu em São Paulo, foi 1º lugar em WebDesign. Ele é um dos 27 medalhistas do Brasil em 2015, resultado que garantiu ao país ser o atual campeão do torneio. Giovanni é também o modelo em que o russo Vitaly Kovor, 22 anos, de São Petersburgo, se inspira. O sonho dele é repetir o feito do brasileiro na edição deste ano, que ocorrerá de 15 a 18 de outubro, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes.

Para o SENAI, a instituição brasileira credenciada na WorldSkills Internacional responsável pela delegação do nosso país, a competição significa muito mais do que transformar a vida de jovens competidores, que entram no mercado de trabalho com um reconhecimento mundial de excelência. A instituição busca na experiência um dos indicadores para aferir a qualidade da educação profissional que oferece, atualizar os currículos dos seus cursos e aprimorar seus processos didáticos.

Neste ano, a 44ª edição da WorldSkills reunirá 1.256 jovens de 68 países em 52 ocupações técnicas. É a 18ª vez seguida que o SENAI estará presente. Os competidores são estudantes de cursos de educação profissional de até 23 anos de idade, completados no ano em que se realiza o torneio. A delegação brasileira contará com 56 alunos e ex-alunos do SENAI, do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC) e dos Institutos Federais de Educação, que vão competir em 50 ocupações. A meta é manter o Brasil no topo do pódio. Na última edição, realizada em São Paulo, os jovens brasileiros ficaram à frente  de representantes de nações que são referência educacional, como Coreia do Sul e Alemanha.

Nas provas, realizadas durante quatro dias, os participantes devem completar os desafios propostos na competição dentro de padrões internacionais de qualidade. É exigido que os alunos demonstrem habilidades técnicas individuais e coletivas em profissões da indústria e do setor de serviços, como automação industrial, eletrônica, eletricidade, cozinha e confeitaria, entre outras. Cada modalidade tem a participação de apenas um representante de cada país, seja uma pessoa ou uma equipe.

SENAI

O SENAI é o maior complexo de educação profissional e serviços tecnológicos das Américas. Desde 1942, formou mais de 71 milhões de trabalhadores para 28 áreas da indústria brasileira, da iniciação profissional até a graduação e pós-graduação tecnológica. A instituição está presente em todas as regiões do Brasil com 555 escolas e 442 unidades móveis, entre as quais os barcos-escola Samaúma I e Samaúma II, que atendem a região Amazônica. Com trabalho reconhecido por instituições como a Organização das Nações Unidas (ONU), o SENAI também tem se tornado importante ator no ecossistema de inovação brasileiro. Tem uma rede nacional com 25 Institutos de Inovação, que realizam pesquisa tecnológica e desenvolvem novos produtos e soluções em parceria com empresas de todos os portes. Implanta ainda 57 Institutos de Tecnologia com 1,2 mil especialistas que prestam serviços em áreas como metrologia, testes de qualidade e consultoria em processos produtivos específicos de diferentes setores, entre outros.

WORLDSKILLS

O mundial é organizado pela WorldSkills International, entidade que trabalha, desde 1950, para o desenvolvimento e a excelência das ocupações técnicas. Reúne competidores de países e regiões das Américas, Europa, Ásia, África e Pacífico Sul.

LABORATÓRIO DE CONHECIMENTO

A experiência adquirida durante os torneios reverte-se em novas práticas pedagógicas levadas às salas de aula para beneficiar todos os alunos do SENAI, influenciando na qualidade da educação profissional oferecida no Brasil. Dessa forma, o que poderia ser apenas uma ação para difundir a marca SENAI como referência mundial no ensino profissional, passa a ser parte de um processo permanente de reavaliação da qualidade do que é oferecido na sala de aula.

A participação na WorldSkills permite ao SENAI ter acesso aos melhores processos e equipamentos, o que coloca docentes e alunos em outro patamar. Um exemplo é que estudantes de Mato Grosso, em treinamento para competir este ano na ocupação Manufatura Integrada, foram até Luxemburgo e Alemanha para conhecer máquinas da área que ainda não existem no Brasil e que se diferenciam por sua precisão e modelagem. Nas provas, os alunos terão de projetar, fabricar, montar e testar equipamentos industriais, experiência que proporciona um intercâmbio, com a transferência do conhecimento adquirido para os alunos que não puderam participar da competição.

O SENAI tem se empenhado em transformar a WorldSkills em um marco de apuração de qualidade do sistema de ensino adotado. O resultado é que, a cada edição, o Brasil vem ganhando destaque na competição e melhorando a sua classificação. Desde 1983, o SENAI representa o Brasil no evento. Naquele ano, dois alunos da instituição competiram com jovens de 18 países. A primeira medalha do Brasil, uma prata na ocupação de tornearia, foi conquistada em 1989, quando a competição reuniu jovens profissionais de 21 países em Birmingham, na Inglaterra. Desde então, em 17 participações, a delegação brasileira já acumulou 121 medalhas.

Na última edição, em São Paulo, os brasileiros tiveram seu melhor desempenho. Ao conquistar 27 medalhas, o país tornou-se o grande campeão da competição em 2015, quando o evento reuniu 1.190 competidores de 59 países na capital paulista. São destaques ainda da participação brasileira, com o 2º lugar nas competições de 2011, em Londres, e de 2007, no Japão.

PRÊMIOS

As medalhas de ouro, prata e bronze são oferecidas aos competidores mais bem colocados em cada uma das modalidades. Aqueles que pontuam acima da média recebem uma medalha de excelência. O competidor que obtém a maior nota entre todos é agraciado com o prêmio Albert Vidal, oferecido desde 1995, que homenageia o fundador da organização por sua dedicação ao desenvolvimento de competências técnicas pelo mundo. Os países participantes não recebem prêmios, mas a WorldSkills International divulga rankings das nações, o que propicia às delegações a avaliação de seu desempenho nas diferentes edições da competição. Os alunos do SENAI que integrarem a delegação brasileira serão premiados pela instituição. Os medalhistas terão uma bolsa de estudos a ser utilizada por até cinco anos. O objetivo é estimular a continuidade da formação educacional dos campeões.

CASOS DE SUCESSO

A unidade do SENAI de Caxias do Sul (RS) se tornou um celeiro de campeões na WorldSkills na ocupação Mecatrônica. Foram duas medalhas de ouro nas competições em 2011 e 2013, assim como duas pratas em 2007 e 2015. Um dos segredos do sucesso dos competidores da cidade é que a equipe do SENAI conseguiu desenvolver uma técnica de programação que reduz os erros e aumenta a velocidade do trabalho. O método hoje beneficia todos os alunos, pois é utilizado nas aulas dos cursos de Mecatrônica. A participação nos torneios também ajuda a obter investimento em maquinário. A unidade conseguiu que novas máquinas fossem adquiridas, e os instrutores aproveitam ao máximo os materiais.

Outro exemplo é a unidade de Florianópolis. No curso de Redes e Infraestrutura, a avaliação prática utilizada com os alunos é inspirada nas competições, permitindo um acompanhamento mais personalizado dos estudantes. Por essa avaliação, cada aspecto da atividade é analisado separadamente. São levados em conta a técnica e a qualidade de processos, como a introdução de projetos-teste sem fio, além da capacidade do estudante de resolução de problemas. Dessa forma, o aluno pode ser mais bem avaliado, pois seus pontos fortes e fracos aparecem mais facilmente.

As mudanças identificadas em processos por países que são referência na área também são rapidamente incorporadas ao ensino das turmas no Brasil. Os alunos, por receberem esse tipo de preparação das competições de educação, tornam-se melhores profissionais porque, quando enfrentam desafios, têm mais formas de resolvê-los.

PARTICIPAÇÕES DO BRASIL NA WORLDSKILLS COMPETITION

TREINAMENTO

O SENAI é a instituição que treina a maior parte da delegação brasileira que irá a Abu Dhabi. Instrutores do SENAI preparam 50 jovens de 44 profissões em quatro centros de referência montados em Brasília, Joinville (SC), Porto Alegre (RS) e Curitiba (PR). O grupo selecionado para o treinamento foi escolhido depois de uma bateria de provas em 32 cidades. Participaram das seletivas regionais 407 alunos do SENAI.

Após serem selecionados, os jovens passam por rigoroso treinamento técnico, físico e comportamental, que conta também com palestras motivacionais. Em Brasília, o treino começa às 6h45, com uma hora de exercícios físicos, e se estende todos os dias até 17h, algumas vezes nos fins de semana. Às vésperas do torneio, os competidores vão participar de uma climatização para enfrentar o clima de deserto de Abu Dhabi, que tem temperatura média de 37° no mês de outubro. A preparação nacional tem duração de um ano: começou em setembro do ano passado e vai até o mesmo mês deste ano, às vésperas do embarque para os Emirados Árabes.

Para a definição da delegação, os estudantes foram submetidos a duas provas, uma realizada em março e outra que ocorreu em agosto, a fim de testar se eles possuem os índices técnicos internacionais de cada ocupação e os requisitos para serem campeões nos Emirados Árabes. Foram escolhidos os jovens que tiveram, além da competência técnica, o perfil de campeões: determinação, equilíbrio emocional e foco.

OCUPAÇÕES NAS QUAIS O BRASIL VAI COMPETIR EM ABU DHABI

RUSSOS

Devido ao sucesso do treinamento oferecido à delegação campeã em 2015, o SENAI foi contratado pela Rússia para treinar também um grupo de 37 competidores e instrutores que irá a Abu Dhabi. A preparação da delegação russa para a WorldSkills está sendo feita em três etapas, que envolveram o envio de instrutores do SENAI à Rússia e o treinamento da equipe no Brasil, em seis centros de referência da instituição em Bauru (SP), Brasília, São Paulo, Joinville (SC), Caxias (RS) e Guaporé (RS) entre março e abril. A preparação envolve competidores e instrutores de sete ocupações: Mecatrônica, Eletrônica, Web Design, Design Gráfico, Joalheria, Manufatura Integrada e Tecnologia da Moda.

O objetivo da delegação russa é melhorar posições no ranking nesta edição. No último torneio, a Rússia não conseguiu nenhuma medalha. Mas o grande objetivo dos russos é repetir o feito dos brasileiros e serem campeões em casa, em 2019. A competição ocorrerá na cidade.