Graças a consultoria, Frigorífico Frinense aumenta as vendas e fecha novos contratos


Inicialmente, os objetivos dos gestores do Frigorífico Frinense, uma empresa de médio porte de Itaperuna, no Noroeste Fluminense, eram os de reduzir o consumo energético na fábrica e automatizá-la. Para alcançar essas metas, firmaram uma parceria com o Instituto Senai de Tecnologia (IST) Ambiental, da Firjan, que fornece consultoria técnica especializada para pequenas, médias e grandes empresas se manterem atualizadas tecnologicamente. A partir de uma análise que durou cerca de um mês, os técnicos do IST identificaram as oportunidades de redução do consumo energético no frigorífico.

Em seguida, desenvolveram soluções com base nas tecnologias existentes na fábrica para criar novos processos e produtos.

“A ideia era profissionalizar o frigorífico, que foi criado nos anos 1970 e continuava com os mesmos equipamentos dos tempos de inauguração. Então precisávamos modernizar o nosso pátio industrial, além de automatizar os setores e dinamizar os processos”, afirma Tayrone Alves, gerente de Recursos Humanos do Frinense, que é especializado em cortes de carnes bovinas, carne seca e Jerked Beef e tem mais de 750 funcionários.

A parceria com o IST foi criada em 2017. Num primeiro momento, com a adesão ao Programa Indústria Mais Eficiente (I+E) do SENAI, foi elaborado um relatório de consultoria de eficiência energética. A partir dele, foi implementada na empresa a filosofia de gestão Lean Manufacturing (LM), conhecida como manufatura enxuta, cujo foco é a redução dos sete tipos de desperdício (superprodução, tempo de espera, transporte, excesso de processamento, inventário, movimento e defeitos). No entanto, a fábrica alcançou benefícios que superaram as expectativas do projeto inicial e da automatização dos equipamentos. Além de fazer uma economia de energia de 46,6% nas áreas analisadas, o Frinense conseguiu aumentar a sua produtividade.

“Os resultados da LM implementada em 2017 foram muito positivos. Houve uma readequação das pessoas dentro das suas linhas de produção. A partir da consultoria, vimos a possibilidade de redução de 20 funcionários, por exemplo, que ocupavam determinadas escalas de trabalho. Só que, em vez de demiti-los, realocamos esses funcionários para outros setores que precisavam de mão de obra e criamos novas vagas. Vimos nesse momento uma otimização muito forte da nossa produtividade”, afirma Alves.

Segundo o relatório do programa, os ganhos promovidos pela aplicação de uso contínuo e trabalho padronizado no Frinense possibilitaram a liberação de mão de obra para compor outras linhas de produção. A empresa ganhou em produtividade sem a necessidade de aumentar o seu quadro de funcionários. Esse ganho teve outras implicações, como a redução de horas extras, que afeta diretamente a qualidade de vida dos trabalhadores; a redução do custo dos produtos, o que os torna mais competitivos; e a consequente produtividade e lucratividade da empresa.

Com as soluções apresentadas pelo programa, além de eliminar operações desnecessárias e ampliar ganhos, a fábrica passou a otimizar e ter maior controle de seus processos. Os custos foram recalculados e houve um aumento de 12% nas vendas, com o fechamento de novos contratos para o Espírito Santo e estados do Nordeste.

“Conseguimos reduzir o preço final do produto para o cliente e, com isso, ficamos mais competitivos. Nós estávamos perdendo e não tínhamos dimensão do quanto. O faturamento passou a ser mais de meio milhão por ano. Para nós foi excelente”, acrescenta o gerente.

OS PROJETOS

Desenvolvido pelo Senai em parceria com o governo federal, o Programa Indústria Mais Eficiente (I+E) consiste na elaboração de um diagnóstico energético com o objetivo de identificar oportunidades de melhorias que contribuam para a redução do consumo e dos custos de energia na indústria. A ideia é elevar a produtividade de processos produtivos com a promoção de melhorias rápidas, baixo custo e alto impacto para as pequenas e médias indústrias do país.

O I+E integra o Programa Brasil Mais Produtivo, iniciativa do governo federal que visa aumentar a produtividade em processos industriais. Trata-se de uma política pública que visa aprimorar as capacidades gerenciais das empresas brasileiras.

“Nós nos cadastramos no programa e, com a iniciativa de redução do consumo de energia, fomos sorteados e escolhidos. Desde então, estamos mantendo essa parceria muito positiva com o Sistema S. O projeto não só atendeu como superou as expectativas da empresa”, afirma Alves.

RESUMO DE DESAFIOS

A consultoria de eficiência energética do I+E foi realizada nas áreas de compressores de amônia e compressores de ar do frigorífico e obedeceu ao seguinte cronograma: caracterização do consumo energético; apresentação visual dos dados do fluxo de energia, com identificação dos recursos de maior consumo energético; identificação de oportunidades de melhoria; descrição das intervenções realizadas a partir da lista de priorização da empresa; descrição dos resultados; análise dos indicadores de redução de consumo de energia; projeção dos retornos dos investimentos; e conclusão.

Segundo Alves, o investimento inicial com a consultoria se pagou em apenas um mês, e o percentual de economia continua crescendo, com a adoção das recomendações deixadas pelos consultores, envolvendo principalmente a troca de equipamentos. O cronograma de atividades, que começou com a redução do consumo dos compressores de ar e de amônia, prevê mais de 12 meses de melhorias.

Karine Mahon, coordenadora Tecnológica de Gestão Ambiental do IST Ambiental, diz que encontra oportunidades em todas as empresas nas quais a metodologia é aplicada. “Mesmo a multinacional de ponta, com tudo automatizado, tecnologia embarcada, indústria 4.0, tem fraquezas, mas em geral as pequenas e médias apresentam mais ganhos. Como resultado associado, há também redução de emissão de CO2 e economia do consumo de água”, explica.

RESULTADOS

Os resultados da consultoria do I+E apontaram as muitas lacunas no pátio industrial do Frigorífico Frinense, que teve motores e compressores postos fora de serviço ou em manutenção. Três equipamentos se mantinham em uso para a mesma finalidade, desnecessariamente, gerando uma demanda de energia alta dentro da linha de produção, quando a necessidade era manter apenas um deles funcionando. Graças à tecnologia das LM, a empresa ganhou em eficiência energética e teve uma redução de consumo de energia por ano de R$ 420 mil reais. E o atendimento com foco em eficiência energética resultou em uma economia de aproximadamente 265.401 Megawatts por ano, o equivalente a R$ 168.126,36 reais por ano.

“Após o relatório técnico da consultoria, que levou um mês, e com base nesse estudo, partimos para reestruturação do nosso pátio de equipamentos. As ações propostas foram implementadas durante três meses, e as soluções compreendiam desde os mais simples processos administrativos até a complexidade de procedimentos relacionados à produção”, detalha o gerente de RH, acrescentando elogios às parcerias do Programa Brasil Mais Produtivo:

“Eu acredito que muitas empresas brasileiras, principalmente as de pequeno e médio portes, poderiam se beneficiar de projetos desse gênero, que têm o compromisso de preservar o meio ambiente, numa postura cada vez mais alinhada com a realidade do mercado. Não só as empresas, mas a economia, de uma forma geral, saem ganhando com essas iniciativas”, finaliza Alves.