Incrustado em uma área de 20 mil m2 de Mata Atlântica no litoral Norte de São Paulo, o hotel boutique Ilha de Toque Toque implementou programa para dar destino correto aos resíduos sólidos produzidos em suas instalações. Com mudanças nos processos organizacionais e de descarte, conseguiu, em apenas seis meses, reduzir em 85% o envio do lixo para o aterro sanitário. Na esteira, tornou-se o primeiro hotel do mundo a obter a Certificação Lixo Zero, emitida pelo Instituto Lixo Zero Brasil, representante no país da Zero Waste International Alliance.

 

Preocupação mundial, a quantidade de resíduos sólidos gerados no dia a dia das grandes corporações e seu destino correto e sustentável também entrou na pauta de discussão de empresas do setor de serviços. Eventos de grande porte, como Rock in Rio e Lollapalooza, por exemplo, já são organizados com o envolvimento de todo um ecossistema de reciclagem e reúso, evitando o envio de toneladas de lixo para aterros sanitários. Cidades, como Florianópolis (SC) e Guarulhos (SP), já aderiram ao movimento, e iniciativas no setor hoteleiro já começam a render frutos. Na semana passada, o Ilha de Toque Toque Boutique Hotel & Spa tornou-se o primeiro hotel no mundo a receber a Certificação Lixo Zero, do Instituto Lixo Zero Brasil, representante no país da Zero Waste International Alliance. A certificação reconhece empresas e organizações que reduziram seus resíduos para aterro, incineração ou ambiente em 90% ou mais.

Localizado em São Sebastião, litoral Norte de São Paulo, o Ilha de Toque Toque opera com um viés sustentável desde a sua fundação, em 2006. Incrustado numa área de 20 mil m2 de Mata Atlântica nativa, em um platô 50 metros acima do nível do mar, o hotel foi construído e decorado com material reciclado (madeira de demolição) – reaproveitou 100% do material da sede da chácara que havia no local – e não derrubou nenhuma árvore no processo. Ao longo dos anos, colocou em prática alguns pequenos projetos de sustentabilidade, como uso de painéis solares para geração de energia elétrica, adoção de lâmpadas LED para iluminação das áreas comuns e das 14 suítes, reúso de toalhas, eliminação de impressões e medidas de reciclagem. No entanto, transmitir aos hóspedes o cuidado com a preservação do meio ambiente não era suficiente. Edson Costamilan Pavão, dono do hotel, queria realizar mudanças que impactassem não apenas as operações diárias do negócio, mas também a vida dos colaboradores e seus familiares.

Área da piscina do Ilha de Toque Toque Boutique Hotel também recebeu residuários para resíduos com identificação

Área da piscina do Ilha de Toque Toque Boutique Hotel também recebeu residuários para resíduos com identificação

Depois de assistir a uma palestra em um evento na Costa Rica, Pavão optou por começar as mudanças pela quantidade de lixo que era produzida e enviada à Unidade de Tratamento e Gestão de Resíduos de Jambeiro (UTGR Jambeiro), no Vale do Paraíba. O objetivo inicial não era obter a certificação, mas ser pioneiro no setor hoteleiro na diminuição do impacto ambiental do negócio. Em um mês de baixa temporada, o Ilha de Toque Toque produz cerca de 1,2 tonelada de lixo (resíduos sólidos recicláveis e orgânicos), em uma média diária de 43 kg de resíduos sólidos recicláveis e orgânicos. A meta era reduzir em 100% e, para atingi-la, seria necessário realizar mudanças nos processos organizacionais e de descarte do hotel inteiro, em um planejamento envolvendo gestores, colaboradores e hóspedes. Como fazer, por onde começar e como engajar as pessoas sem comprometer a qualidade do serviço prestado e sem afetar a boa reputação do premiado estabelecimento?

DIAGNÓSTICO

Em janeiro do ano passado, Pavão contratou a Lixo Zero Consultoria, empresa de Florianópolis credenciada pelo Instituto Lixo Zero Brasil, para fazer o diagnóstico da situação do hotel e, a partir disso, desenhar e implantar o projeto de redução de resíduos. Antes da primeira visita dos consultores, o hotel teve que cumprir uma série de exigências burocráticas que consumiu quatro meses. A equipe de consultores, composta por uma bióloga mestre em engenharia ambiental, uma designer de sustentabilidade e um artista plástico e arte educador ambiental, passou o mês de maio no hotel para observar todos os processos de geração de resíduos da empresa. A visita resultou em um relatório de 80 páginas que “identificou processos e estabeleceu as melhores práticas de manejo e gestão dos resíduos sólidos para nortear as ações da empresa”, a fim de atingir a meta Lixo Zero, atendendo aos princípios ambientais, econômicos, culturais, sociais e legais (leis federais, estaduais e municipais e leis ambientais e normas técnicas).

Os consultores avaliaram as atividades em todas as dependências do hotel: 14 suítes, estacionamento, restaurante, cozinha, recepção e área administrativa, estoque, Spa, banheiros, piscina, bar da piscina, sala de manutenção, sala de estoque de produtos (camareiras), vestiário e banheiro dos funcionários, refeitório dos funcionários, área de disposição dos resíduos, loja, área de descanso dos hóspedes, jardim e área de apoio de praia com  cozinha e dois banheiros. Durante o período da visita foi observado que apenas as latinhas de alumínio eram separadas e vendidas para a reciclagem, e os demais resíduos eram misturados e encaminhados como rejeito para a coleta convencional da Marquise Ambiental, empresa contratada pela prefeitura para a coleta do lixo no município.

De forma geral, os resíduos gerados pelo hotel tinham seis destinações:

  • Resíduos não segregados (todo o lixo, exceto latinhas de alumínio) – Marquise Ambiental
  • Óleo vegetal (usado na cozinha para fritar alimentos) – Jet Óleo
  • Entulhos e outros materiais – empresas de recolhimento de sucata e entulho
  • Latinhas de alumínio – compradores aleatórios
  • Limpeza de efluentes – Gordo Limpa Fossa
  • Limpeza de ar condicionado e equipamentos eletroeletrônicos – Colortel

Os materiais coletados, misturados, iam para a área destinada aos resíduos, localizada no fundo da cozinha, para armazenamento temporário. Nos dias de coleta, os resíduos eram levados para a lixeira que fica do lado de fora do hotel.

Área de armazenamento temporário dos resíduos localizada nos fundos da cozinha antes do projeto Lixo Zero

Área de armazenamento temporário dos resíduos localizada nos fundos da cozinha antes do projeto Lixo Zero

O documento da consultoria também detalhou a geração de resíduos por setor do hotel e os procedimentos que estavam sendo empregados. A cozinha é o principal gerador de resíduos, com média diária de 20 kg, em sua maioria orgânicos. Não havia separação e tudo era encaminhado como rejeito para a coleta convencional. O óleo utilizado para fritura era armazenado em bombonas de 50 litros e encaminhado para a Usina de Biodiesel.

No Restaurante & Bar, onde são servidas as refeições, a equipe de consultores identificou, além da quantidade e o tipo de resíduo gerado, o número de lixeiras para descarte e o material utilizado no serviço de café da manhã e na piscina passíveis de substituição por soluções sustentáveis, como as embalagens plásticas dos sachês individuais de manteiga, cream cheese, geleias, ketchup, maioneses e mostarda.

O setor de recepção e de escritório era responsável pela geração diária de 2,84 kg de resíduos, compostos, em sua maioria, por papel (rascunho e para enxugar as mãos), orgânicos (restos de alimentos), plástico (cartuchos de tinta vazios e pequenos plásticos) e rejeitos (canetas usadas, clips, chicletes, fitas e papel higiênico). No espaço externo da recepção, uma lixeira de 5 litros continha todo tipo de resíduo misturado (caixinhas de suco, garrafas de água, papéis, lixo orgânico).

Na área de apoio de praia, reservada aos hóspedes a alguns quilômetros do hotel, três lixeiras de 30 litros eram utilizadas para o descarte diário de 2,45 kg de resíduos. Metal, orgânicos, vidro, plástico, isopor e rejeitos não eram separados e eram recolhidos pela Marquise Ambiental, que os enviava para o aterro de Jambeiro. O único resíduo da área separado era o óleo vegetal usado, que era armazenado na bombona plástica recolhida pela Jet Óleo.

Os resíduos produzidos nas suítes (7,6 kg/dia) também eram descartados sem separação e continha todo tipo de material, de latinhas de alumínio a rolhas de cortiça, passando por orgânicos, vidros, isopor e papel higiênico usado.

A classificação dos resíduos sólidos de todas as dependências do hotel ajudou na determinação do melhor modelo de gerenciamento a ser aplicado para cada resíduo, em acordo com a legislação vigente. Os resíduos foram classificados por sua natureza física (seco e molhado); por composição química (matéria orgânica e inorgânica); pelos riscos potenciais ao meio ambiente; e pela origem (materiais de escritório, embalagens de mercadorias, embalagens de produtos da cozinha, resíduos gastronômicos, resíduos volumosos, resíduos especiais e rejeitos).

Os consultores apontaram o que precisaria ser aprimorado no gerenciamento dos resíduos sólidos do hotel, bem como oportunidades para a implantação do Programa Lixo Zero;

Recursos: central de armazenamento para resíduos em conformidade com a NBR 11174 ABNT; local adequado para armazenamento de resíduos perigosos; melhor orientação dos funcionários para coleta e manejo dos resíduos, entre outros pontos de atenção.

Processos: procedimentos operacionais de segregação e coleta interna e padrão de sinalização e comunicação visual para a disposição de resíduos gerados tanto para os colaboradores quanto para os hóspedes.

Relações: programa de treinamento e educação continuada para os responsáveis pelo manejo dos resíduos; educação ambiental continuada para sensibilização dos funcionários e dos hóspedes para a separação dos resíduos para coleta seletiva; e sinalização e comunicação visual.

Gestão: sistema de monitoramento da geração dos resíduos sólidos; criação e disponibilização de informações sobre o gerenciamento e a destinação dos resíduos; e criação de uma política e de um sistema claro de gestão de resíduos.

O modelo de gerenciamento dos resíduos proposto e adotado pelo hotel dividiu as mudanças propostas em cinco etapas: segregação e acondicionamento; coleta e transporte interno; locais de armazenamento; plano de manejo por setor; e coleta externa e destinação.

Na etapa de segregação, os resíduos gerados no hotel foram divididos por categorias, para as quais foram determinadas formas de separação e acondicionamento, com o objetivo de: facilitar e viabilizar o manuseio, a coleta, o transporte e o tratamento adequado dos resíduos sólidos; prevenir acidentes pela inadequada separação e acondicionamento dos resíduos perigosos; racionalizar os custos financeiros que envolvem a destinação dos resíduos; e impedir a contaminação de grande quantidade de resíduo por uma pequena quantidade de material perigoso.

Estação Lixo Zero, nos fundos da cozinha: resíduos separados por tipo em ambiente organizado e limpo

Estação Lixo Zero, nos fundos da cozinha: resíduos separados por tipo em ambiente organizado e limpo

Foram designados sacos plásticos azuis para resíduos recicláveis e preto para os demais, facilitando a identificação, o manuseio e a destinação correta. Para tornar a segregação dos resíduos na origem fácil e intuitiva, foi adotada a separação dos materiais recicláveis nas categorias metal, plástico, vidro e papel. Alguns resíduos, como papel branco, papelão, entulho, lâmpadas, óleo de cozinha, pilhas e baterias passaram a ser segregados de maneira diferenciada dos demais.

Todos os residuários, ou latas de lixo, foram identificados com sua respectiva categoria e dispostos em locais estratégicos, próximos da fonte da geração de resíduos. Isso facilitou a segregação na origem e o descarte seletivo. Atenção especial foi dada ao lixo orgânico, que passou a ser armazenado em recipientes plásticos com tampa e encaminhado diariamente para compostagem.

Nos processos referentes à coleta e ao transporte interno dos resíduos – da fonte geradora até o ponto de armazenamento – ficou estabelecido que os próprios geradores dos setores seriam os responsáveis por fazer o descarte nos locais de armazenamento corretos: Estação Lixo Zero (externa) e área temporária das suítes. Esses pontos foram criados de forma a não apresentar risco à saúde dos colaboradores e hóspedes, contaminação ambiental ou qualquer risco de misturar os diferentes tipos de resíduos, impossibilitando o seu reúso, a reutilização ou a reciclagem.

A Estação Lixo Zero foi construída em madeira, e o espaço nos fundos da cozinha foi adaptado para recebê-la. Possui quatro compartimentos maiores destinados ao armazenamento de plástico (2), metal e alumínio (1) e papel (1); compartimentos individualizados para vidro, papelão, jornais e revistas, papel sulfite e de escritório, óleo de cozinha usado, pilhas e baterias, estopas e pincéis, cerâmica quebrada e vidro quebrado. Todos os compartimentos têm identificação visual do local e placas explicativas para o que pode ser descartado em cada residuário. Os colaboradores foram orientados a manusear as lâmpadas quebradas usando equipamento de proteção individual.

A Área de Armazenamento Temporário dos Resíduos das Suítes está localizada no jardim central, próxima à escada que leva ao estacionamento dos hóspedes. Possui duas caixas plásticas com a devida identificação visual para recebem rejeitos e recicláveis. A coleta  dos resíduos depositados nessa área e seu transporte para a Estação Lixo Zero são feitos diariamente.

O Plano de Manejo por Setor detalhou o manuseio do lixo desde a origem até os pontos de armazenamento, passando pelo acondicionamento, o transporte, a frequência de coleta e o colaborador responsável em cada etapa. Nele  também foi definido o número e o tipo de residuários de cada setor. A cozinha, por exemplo, recebeu residuários com pedal para armazenamento dos resíduos orgânicos (50 litros), recicláveis (100 litros) e rejeitos (50 litros), que devem ser higienizados diariamente para não haver a contaminação de outros resíduos. A separação dos resíduos da cozinha fica a cargo do responsável pela Estação Lixo Zero.

Sessões de treinamento dos funcionários do hotel: orientações sobre segregação e manejo dos resíduos

Sessões de treinamento dos funcionários do hotel: orientações sobre segregação e manejo dos resíduos

Uma área de compostagem termofílica foi criada na propriedade para receber resíduos orgânicos diariamente, reduzindo em 100% o envio de orgânicos para o aterro sanitário. O jardineiro, que é responsável por esse setor, faz o monitoramento da temperatura das composteiras para avaliar a eficiência do processo. O resultado da compostagem é utilizado no paisagismo e na horta orgânica do hotel.

A próxima etapa do projeto – Coleta Externa e Destinação – envolve tanto os colaboradores do hotel quanto as empresas contratadas para o recolhimento dos resíduos. Nos dias especificados para a coleta, seletiva e de resíduos para aterro, o colaborador responsável faz o transporte dos sacos plásticos da Estação Lixo Zero para a Área de Armazenamento Externa. Nas lixeiras externas também foram colocadas placas de identificação do resíduo (Rejeito e Recicláveis) para orientar os coletores da Marquise Ambiental. Entulho de construção civil e resíduos volumosos são armazenados no momento da geração em caçambas estacionárias e ficam sob responsabilidade da empresa concessionária contratada. O lixo eletroeletrônico é de responsabilidade da empresa Colortel, que aluga os equipamentos para o Ilha de Toque Toque.

PLÁSTICO ZERO

Paralelamente às recomendações da Lixo Zero Consultoria, a administração do hotel decidiu eliminar também o lixo plástico proveniente de garrafas PET, canudos, copos descartáveis, isopor e sachês de manteiga, mostarda, ketchup e de maionese. Um dispenser com água mineral foi colocado em cada suíte e nas áreas comuns em substituição às garrafas plásticas individuais. A água passou a ser oferecida aos hóspedes gratuitamente, em temperatura ambiente ou gelada.

Os sachês de ketchup, mostarda, maionese, geleias, manteiga, cream cheese e de requeijão foram substituídos por potinhos de cerâmica. Houve uma redução de 50% no uso de perfex e de luvas cirúrgicas. As esponjas sintéticas, de difícil decomposição no ambiente, foram substituídas por buchas vegetais. As toucas de TNT usadas pelo pessoal da cozinha deram lugar às de pano, e o uso de filme plástico foi reduzido em 80%, pois os alimentos passaram a ser acondicionados em potes com tampa.

Nas suítes também foram colocados dispensers para shampoo, condicionador, sabonete e hidratante, mimos que eram disponibilizados em embalagens plásticas que, após o uso diário, eram descartadas pelos hóspedes.

ENGAJAMENTO

O hotel foi um dos primeiros do país a usar as redes sociais para reserva de suítes, em 2006. De lá para cá, a administração usa o Instagram e o Facebook como canais ativos de comunicação com os hóspedes. E foi nas redes sociais e no blog mantido pelo proprietário que o hotel foi contando os poucos todas as mudanças que estavam sendo feitas para se tornar um empreendimento mais sustentável. Como resultado, passou a atrair hóspedes que se preocupam com a preservação ambiental.

O projeto previu todo um material de informação para engajar os hóspedes no descarte correto dos resíduos, com identificação dos residuários espalhados pelas dependências (Fotos: FlowDesenvolvimento Sustentável)

O projeto previu todo um material de informação para engajar os hóspedes no descarte correto dos resíduos, com identificação dos residuários espalhados pelas dependências (Fotos: FlowDesenvolvimento Sustentável)

A comunicação Lixo Zero para os hóspedes começa no momento da reserva. O hotel envia ao visitante um e-book contando a história do hotel, sua preocupação com o meio ambiente e a pegada sustentável de lixo zero. No momento do check-in, um cartaz fala sobre a subestação Lixo Zero, e o hóspede recebe, junto com as chaves, um livreto com apelo para a sustentabilidade, solicitando, entre outras coisas, que ele não maltrate os animais, não mexa nas plantas e descarte o lixo no local adequado. Em seguida, é convidado a fazer um tour guiado pelo hotel, em que são apresentados os projetos sustentáveis do empreendimento, o programa Lixo Zero, e o coletor de bitucas de cigarro.

Para engajar os hóspedes no projeto Lixo Zero, aos sábados, o hotel promove um passeio gratuito por uma trilha ecológica na região de praia, em que são promovidas coletas de bitucas de cigarro e de lixo jogado na mata e na areia.

RESULTADOS

Depois de implementadas as mudanças, foi realizado um novo período de treinamento. Durante 33 dias, os consultores acompanharam as atividades do hotel para observar se o que foi implementado estava sendo seguido, fazer pequenos ajustes no planejamento, orientar os funcionários e pesar o lixo recolhido. Essa nova pesagem foi feita no período de 16/09 a 18/10/2019. Foram pesados separadamente: papelão, papel, vidro, metal, plástico e rejeito.

A redução na geração de resíduos foi drástica. Na época do diagnóstico, o hotel produziu, em um período de 30 dias, 1,2 tonelada de lixo, com média diária de 42 kg. Na pesagem após as mudanças, a produção de resíduos caiu para 460,72 kg, com média diária de 13,96 kg. De acordo com as pesagens iniciais e finais, o Ilha de Toque Toque está desviando cerca de 89% de resíduos do aterro. No início do Programa, 42,98kg de lixo eram enviados ao aterro diariamente. Com a implementação do Programa e treinamento dos colaboradores, esse montante caiu para 4,34kg/dia. Um dado importante é que, desses 42,98 kg iniciais, estavam inclusos resíduos valiosos como os orgânicos e os recicláveis. Pelo resultado obtido, em novembro do ano passado, o Ilha de Toque Toque recebeu da consultoria o Selo Ouro de Hotel Lixo Zero e tornou-se o primeiro hotel do país a ter esse tipo de reconhecimento.

A administração seguiu promovendo pequenas mudanças e fazendo o controle diário dos resíduos gerados e dos processos estabelecidos pelo projeto. O projeto Lixo Zero também promoveu mudanças nos hábitos dos colaboradores do hotel. Após uma resistência natural inicial, os colaboradores passaram a aplicar os conceitos de lixo zero também em suas casas, reduzindo ainda mais o impacto ambiental da ocupação humana.

Para se tornar o primeiro hotel lixo zero do país, o Ilha de Toque Toque investiu cerca de R$ 100 mil, entre consultoria, obras e compra de materiais. Em janeiro, após uma auditoria do Instituto Lixo Zero Brasil, recebeu a Certificação Lixo Zero, tornando-se o primeiro hotel do mundo a obter esse reconhecimento, com 94% de desvios de aterro.

Agora o Ilha de Toque Toque se prepara para ampliar o projeto a toda a cadeia produtiva, engajando seus fornecedores na adoção de práticas sustentáveis de redução da geração de resíduos sólidos.

 ILHA DE TOQUE TOQUE BOUTIQUE HOTEL & SPA

Inaugurado em 2006 com apenas 14 suítes, o Ilha de Toque Toque Boutique Hotel & Spa, em São Sebastião, no litoral Norte de São Paulo, foi eleito pelo TripAdvisor Travelers Choice 2015, um dos 25 hotéis mais românticos do país, e foi premiado no World Luxury Hotels Award 2016 na categoria Melhor Hotel de Praia da América do Sul. Além disso, obteve Certificados de Excelência do TripAdvisor de 2012 a 2019, e venceu o World Luxury Hotels Award 2017 nas categorias Melhor Hotel Pequeno, Melhor Hotel com Vista Cenográfica e Melhor Hotel Romântico.

Por estar localizada numa área de Mata Atlântica nativa em que 90% são preservados, o Ilha de Toque Toque tem como uma de suas prioridades cuidar do ambiente onde está inserido e incentivar seus hóspedes a adotar práticas sustentáveis.

Em 2019, iniciou a implantação do Projeto Lixo Zero, com o objetivo de reduzir o envio de resíduos sólidos para aterro sanitário e incentivar outros estabelecimentos comerciais da região a adotar práticas sustentáveis no descarte de lixo.