Para ganhar agilidade no processo de vendas, a Radesco Mineração, produtora da água mineral São Lourenço da Serra, trocou as planilhas eletrônicas por uma solução que automatiza rotinas que não são contempladas por ERPs. Além de conseguir maior controle sobre a operação, passou a conhecer melhor o mercado onde atua – o de água envasada em galões retornáveis de 5, 10 e 20 litros.


Por Gisele Ribeiro

O Brasil ocupa o 15º lugar no ranking mundial de consumo de água engarrafada proveniente de fontes naturais ou filtrada, segundo a Associação Internacional de Água Engarrafada (IBWA).  O consumo per capita de água mineral é de 70 litros/ano – número considerado baixo, se levarmos em conta que os norte-americanos consomem duas vezes mais no mesmo período. Apesar disso, somos o quinto maior mercado de água mineral engarrafada do mundo, atrás somente de China, EUA, México e Indonésia.

De 2010 até 2018, o mercado brasileiro de água mineral vinha registrando crescimento anual de dois dígitos. A crise econômica, que levou o consumidor a diminuir a frequência e a quantidade de compra do produto, provocou uma queda de 5,5% no setor. Analistas esperavam uma recuperação em 2020, em função da expectativa de retomada da economia, mas o mercado foi surpreendido pela pandemia do novo coronavírus, que pode levar a uma recessão mundial e a uma retração ainda maior do setor mais adiante.

Por enquanto, com as pessoas confinadas em suas casas, o consumo de água mineral aumentou. O medo de que o vírus seja transmitido pela água (o que não é) e a desconfiança na qualidade da água potável fornecida pela rede de abastecimento têm provocado picos de consumo, e as empresas têm sentido o efeito no aumento da produção tanto da água mineral vendida em garrafas PET quanto da vendida em galões retornáveis. Segundo a BMC, cerca de 70% do volume de água mineral envasada no país são comercializados em garrafões retornáveis, 26,7% em garrafas plásticas, 1,0% em copos plásticos, 0,1% em embalagens de vidro e 0,7% em outras embalagens. Com a quarentena, quem não pode consumir a água em garrafa PET em função da alta de preços acabou migrando para a de galões, que oferecem melhor custo-benefício para o consumidor individual.

DESAFIO

Na Radesco Mineração, de São Lourenço da Serra (SP), a produção de galões da água mineral que levam o nome da cidade de origem, quadruplicou desde que as medidas de contenção da transmissão da Covid-19 entraram em vigor no país. A empresa ocupa atualmente a 12ª posição no ranking do setor, envasando 30 mil litros de água por hora. Só produz aquilo que vende exclusivamente para o mercado varejista e não trabalha com estoque. Para sobreviver em um setor altamente competitivo como o da água mineral em galão – além da concorrência de empresas como Nestlé, Danone e Grupo Edson Queiroz, ainda tem que enfrentar a do mercado informal –, a Radesco necessita ter total controle sobre suas vendas, de modo a seguir abastecendo o mercado principalmente durante os períodos de alta de consumo.

No final de 2019, com o acirramento da concorrência e do verão, a Radesco sentiu necessidade de controlar melhor a sua operação comercial, de modo a tornar a produção mais eficiente. Até então, todo o controle de produção e vendas era feito em cima de planilhas eletrônicas. A ideia inicial era apenas digitalizar as planilhas, reduzindo o tempo gasto pela equipe no preenchimento de papéis e planilhas e eliminando os erros em pedidos provocados por caligrafias ilegíveis.

A Radesco utiliza tecnologia de ponta no processo produtivo, mas quase nada nos demais processos. Sua infraestrutura tecnológica era formada por computadores não conectados em rede, usados, essencialmente, para criar, editar e preencher planilhas eletrônicas na área administrativa. A comunicação entre as máquinas era feita por e-mail, e os arquivos, armazenados localmente. Não havia servidor próprio nem um ERP para auxiliar nos processos de gestão.

A companhia buscava uma solução leve, que não exigisse investimentos muito grandes, e que se adaptasse ao negócio e não ao contrário. Foi quando, no ano passado, a InfoGo, empresa de São Paulo especializada em digitalização de rotinas, apresentou uma proposta para transformar o recebimento de currículos – até então entregues em papel na portaria da fábrica – em uma rotina digital, com busca de candidatos por uma ou várias características combinadas, como experiência, formação, idade e gênero. Como já buscava uma maneira de solucionar o processo manual de controle de produção/vendas por planilhas, a Radesco acabou contratando a solução para as rotinas comerciais da empresa.

Exemplo de dashboard do aplicativo InfoGo: dados visuais de fácil compreensão (Divulgação)

Exemplo de dashboard do aplicativo InfoGo: dados visuais de fácil compreensão (Divulgação)

O aplicativo da InfoGo automatiza rotinas externas e internas não contempladas em sistemas de gestão, usa Inteligência Artificial para facilitar as buscas e fornecer aos usuários insights sobre o negócio e requer apenas um smartphone ou tablet para ser acessado. Sua implantação, segundo Marcus Taccola, CEO da InfoGo, é relativamente simples. Ela se baseia na criação de formulários personalizados das rotinas manuais. O aplicativo consegue pegar as respostas de um formulário, cruzar dados e listagens e apresentar a análise em dashboards gráficos de fácil visualização e compreensão, permitindo o direcionamento do negócio a partir da gestão de dados feita pela Inteligência Artificial do algoritmo.

IMPLANTAÇÃO

Na Radesco, a implantação do InfoGo na rotina de produção levou cerca de um mês. Foi o tempo para entender as necessidades da empresa e as rotinas que deveriam ser digitalizadas. A partir daí, foram criados os formulários de controle de produção (cliente, produto, quantidade vendida, preço, data e operador), determinada a política de acesso, feitos os ajustes necessários nos testes de duas semanas e a entrada em produção. Duas pessoas estiveram envolvidas no processo: Karina Radesco, sócia-diretora da empresa, e um profissional de suporte da InfoGo. Uma vez compreendida a necessidade e a rotina da empresa, a criação dos formulários, segundo Karina e Taccola, foi rápida e fácil – em dois dias, a rotina digital já estava funcionando a plena carga.

O preenchimento dos formulários agora é feito de forma intuitiva, e foi necessário apenas uma hora de treinamento a distância para que as seis pessoas da Radesco da área de produção/vendas aprendessem a acessar e a utilizar o aplicativo de seus smartphones. Os dados inseridos na nova rotina digital passaram a ser armazenados na nuvem da InfoGo, e a ser acessados de qualquer lugar que estivessem. O sistema ainda foi configurado para enviar automaticamente um e-mail para os sócios toda vez que a produção ultrapasse os 600 galões, indicando que há um caminhão grande na fonte e permitindo ajustes de logística em tempo real.

RESULTADOS

O controle digital da produção mudou completamente o negócio da Radesco Mineração. Ao conseguir acompanhar em tempo real as vendas e ter a análise de dados exibida graficamente nos dashboards, a empresa conseguiu entender melhor os seus clientes e o seu mercado. Em poucas semanas a empresa conseguiu medir o tamanho do seu negócio, o índice de recompra e a cobertura de mercado, as regiões que deixavam de atender e os melhores e os piores clientes, tanto em volume quanto em condições de pagamento.

Com as análises inteligentes do aplicativo em mãos, a empresa passou a abordar seus revendedores de forma mais estratégica, levando em consideração não apenas o número de pedidos, mas situações externas que influenciam para cima ou para baixo a quantidade de produtos comprados. Para Karina, esse insight oferecido pela ferramenta foi fundamental não apenas para o controle interno da produção, mas também para o conhecimento da sua base de clientes.

Segundo Karina, a empresa ainda não traduziu em números o ganho de eficiência e produtividade, mas até o momento sente que houve uma evolução no processo, que está muito mais ágil e permite construir um histórico de cada cliente – algo impensável na rotina manual. Em resumo, os resultados obtidos foram:

  • Agilidade no processo de produção, com possibilidade de anotar nos pedidos observações necessárias e tomar medidas a partir dessas notas;
  • Controle total do processo de produção, com possibilidade de acompanhar os pedidos em tempo real;
  • Melhor conhecimento da base de clientes a partir do histórico de compras, do número e da quantidade de pedidos, das formas negociais e da localização do revendedor;
  • Acesso a análises inteligentes a partir do cruzamento de dados dos pedidos e dos clientes, o que permite;
  • Maior conhecimento do mercado e do negócio, possibilitando tomadas de decisões estratégicas com base na gestão de dados; e
  • Maior controle sobre o processo de produção durante picos de consumo como o ocasionado pela Covid-19.

Em breve, entra em produção uma nova rotina digital:  o processo de envio de currículos em PDF para o RH, com busca inteligente, proposto pela InfoGo em seu primeiro contato.

A RADESCO E A INFOGO

Fundada em 1996, no município de São Lourenço da Serra, no interior de São Paulo, a Radesco Mineração é uma empresa familiar, com 60 funcionários (diretos e indiretos), que produz água mineral em galões retornáveis de 5, 10 e 20 litros. Além da São Lourenço da Serra, a empresa envasa galões de outras marcas. A produção da marca própria é de 30.000 l/h. A Radesco está entre os 12 maiores players do mercado, dividindo o setor com transnacionais, como Nestlé, Danone e Coca-Cola, e nacionais, como o Grupo Edson Queiroz e Mineração Canaã.

Criado há um ano, a startup InfoGo do Brasil é especialista na digitalização e na automação de processos que agilizem as rotinas internas de uma empresa, feita por meio do aplicativo InfoGo. Na plataforma móvel baseada em nuvem, o gestor cria uma pesquisa ou formulário de perguntas para uma determinada rotina. O algoritmo de Inteligência Artificial no qual está baseada, a ferramenta consolida dados e gera gráficos e porcentagens relacionados a qualquer rotina criada a partir das respostas obtidas. A solução está presente em diversos segmentos da Indústria, do Comércio e de Serviços.